Se chegaste a este artigo, é provável que estejas curioso ou curiosa — e que não saibas muito bem por onde começar. É normal. O strap-on é um daqueles brinquedos sexuais de que pouco se fala abertamente, apesar de as dúvidas que o rodeiam serem muitas e perfeitamente legítimas.
Já tive dezenas de conversas sobre este tema com os meus clientes e clientes. Casais heterossexuais que queriam explorar o pegging. Mulheres em relações com mulheres à procura do seu primeiro strap-on. Homens curiosos sobre a estimulação da próstata. Em todas as ocasiões, as perguntas são as mesmas: que tamanho escolher? Que material? Como funciona realmente?
E, para além da parte técnica, há também tudo o que se passa na nossa cabeça. A curiosidade, às vezes algum constrangimento, a vontade de experimentar sem saber se vamos gostar. Foi exatamente por isso que escrevi este guia: para que avances ao teu ritmo, com informação clara e sem pressão.
Respondo a tudo isto aqui, de forma simples e sem tabus.
O que é exatamente um strap-on?
Um strap-on — ou pénis de cinta — é um dildo fixado a um arnês que se usa à volta das ancas. Permite penetrar a pessoa parceira, seja vaginalmente ou analmente. Quem usa o arnês controla os movimentos, tal como numa penetração convencional.
O que me agrada neste brinquedo sexual é o facto de ser verdadeiramente universal. É utilizado por casais de mulheres, casais heterossexuais que praticam pegging, homens trans e pessoas não binárias. Não existe um perfil-tipo de utilizador ou utilizadora — há tantas formas de o utilizar quantas as formas de viver uma relação.
Fala-se muitas vezes de dominação ou de inversão de papéis, mas, na realidade, trata-se sobretudo de outra forma de partilhar prazer. Para algumas pessoas, é uma exploração; para outras, uma prática regular. Ambas são perfeitamente válidas.
De acordo com um inquérito da aplicação Feeld, publicado em 2025, o interesse pelo pegging entre homens cisgénero aumentou 200 % em três anos. Não é algo insignificante. A curiosidade existe, o tabu está a diminuir — e isso é uma excelente notícia.
Que tamanho escolher para começar?
É a pergunta que mais ouço, e a minha resposta é sempre a mesma: começa por um tamanho mais pequeno do que imaginas.
Para um primeiro strap-on, um comprimento de 12 a 15 cm e um diâmetro de 3 a 4,5 cm são ideais. É suficiente para alcançar as zonas sensíveis — o ponto G na penetração vaginal e a próstata na penetração anal — sem correr o risco de causar desconforto.
O que realmente importa não é o tamanho, mas o controlo. Movimentos lentos, boa comunicação e atenção às sensações do corpo farão sempre mais diferença do que um centímetro a mais.
O erro mais comum é querer impressionar ou imaginar que maior significa mais prazer. Não é verdade, sobretudo nas primeiras experiências. O corpo precisa de tempo para se adaptar.
Começa com conforto. Poderás aumentar o tamanho de acordo com as tuas preferências.
Que material escolher?
Sou muito rigorosa neste aspeto, sobretudo quando se trata de práticas anais. Escolhe sempre um dildo de silicone de grau médico. É o material mais seguro: não poroso, higiénico e fácil de manter.
Evita cyberskin, TPE ou jelly. Estes materiais são porosos e podem reter bactérias mesmo depois de limpos. Para uma utilização regular ou partilhada, não são recomendados.
Se mais tarde quiseres variar as sensações, poderás explorar outros materiais, como vidro ou aço. Mas, para começar, opta por algo simples, limpo e fiável.
O arnês: como escolher?
Para começar, recomendo um arnês em formato de cueca ou jockstrap. É fácil de vestir, confortável e permite concentrares-te nas sensações em vez de te preocupares com o ajuste.
Os modelos com correias oferecem mais precisão e suporte, mas exigem alguma prática. É uma evolução natural depois de algumas experiências.
Um bom arnês é aquele de que te esqueces enquanto o usas. Se incomodar, se se mexer ou se apertar demasiado, vai prejudicar a experiência. Dedica algum tempo a escolhê-lo bem.
O lubrificante: realmente indispensável
Para a penetração anal, o lubrificante é indispensável. Sem ele, o corpo não está preparado e a experiência pode rapidamente tornar-se desconfortável.
Utiliza um lubrificante à base de água e aplica-o generosamente. Para ainda mais conforto, os lubrificantes anais foram concebidos para acompanhar o relaxamento progressivo.
O melhor hábito é voltar a aplicar regularmente. O lubrificante seca com o tempo, e acrescentar mais faz toda a diferença.
Como abordar o pegging com a pessoa parceira?
O mais importante é a comunicação. Fala sobre o assunto com naturalidade e sem pressão. Não é uma obrigação, é uma proposta.
Explica o que te intriga, o que gostarias de experimentar, e dá à outra pessoa tempo para pensar. Cada pessoa avança ao seu ritmo.
Nos casais que praticam pegging, algo que surge frequentemente é uma maior cumplicidade. Descobre-se outra forma de confiar e de partilhar.
Se quiseres aprofundar a exploração, também podes ler o meu artigo sobre BDSM suave.
Dar tempo ao tempo: a verdadeira chave
Não há nada para conseguir nem nada para provar. O strap-on é uma forma de explorar. Às vezes resulta logo; outras vezes, são necessárias várias tentativas para encontrar o ritmo e os pontos de referência certos.
Ouve, ajusta e abranda. E, acima de tudo, lembra-te de que o prazer raramente vem da performance, mas sim da ligação e da atenção mútua.
Escrito por Alicia Deroussen, fundadora da Adopt1Toy — conselhos sem tabus, com respeito e cuidado.
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