Gostar de sexo faz de mim uma má mãe?

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    |Alicia Deroussen

    Vou dizer-to sem rodeios: ser mãe e continuar a ser uma mulher desejante não é incompatível. O tema mãe e amante surge muitas vezes porque, depois da chegada de um filho, tudo muda ao mesmo tempo: o corpo, o ritmo, as prioridades, o sono, a imagem que temos de nós próprios, o lugar do casal e até a forma como nos vemos. Muitas mulheres perguntam-se se o seu desejo é «normal», muitos homens já não sabem muito bem como se aproximar da companheira e toda a gente acaba por exercer uma pressão desnecessária sobre si própria. O meu objetivo aqui é devolver espaço e leveza a este tema. Vou ajudar-te a compreender o que realmente está em jogo entre maternidade, libido, carga mental, educação e vida de casal. E, se quiseres aprofundar o período imediatamente a seguir ao nascimento, deixo-te também o meu guia do pós-parto.

    casal na praia a recuperar tempo a dois depois da parentalidade

    💜 Ser mãe não faz desaparecer a mulher

    Quando falamos de mãe e amante, tocamos numa ideia que ainda incomoda muitas pessoas: uma mãe deveria estar voltada para os outros, enquanto uma mulher desejante estaria voltada para si própria. Esta oposição é falsa, mas continua profundamente enraizada. O resultado é que algumas mulheres sentem culpa quando têm desejo, outras sentem culpa quando já não o têm e, em ambos os casos, têm a sensação de estar «ao lado» do que deveriam sentir.

    Na realidade, a maternidade acrescenta uma dimensão à identidade, não apaga as outras. Uma mulher não deixa de ser companheira, amante, uma pessoa com necessidades e com um imaginário íntimo só porque se torna mãe. O que muda é a organização interior. É preciso criar espaço para um novo papel imenso, por vezes invasivo, por vezes bonito, por vezes exaustivo — muitas vezes tudo isso ao mesmo tempo.

    Considero importante recordar uma resposta simples à pergunta «o que significa o tema mãe e amante?»: é a dificuldade que muitas mulheres e casais sentem em conciliar a maternidade com o desejo, a intimidade, a vida amorosa e a imagem que têm de si próprios. Dito de outra forma, não é um problema moral, é uma questão de equilíbrio humano.

    Esta diferença não significa que haja algum problema no casal. Muitas vezes significa que está a decorrer um novo ajustamento. E um ajustamento leva tempo, sobretudo quando o dia a dia não deixa muita margem.

    mãe e bebé a ilustrar a maternidade, a ternura e o lugar da mulher

    🧠 O corpo depois da maternidade: útil, solicitado, mas sempre habitado

    Depois de uma gravidez, de um parto ou dos meses que se seguem à chegada de um filho, o corpo muda. Pode parecer menos familiar, menos disponível, por vezes menos “nosso”. Carregou, alimentou, recuperou, suportou. Muitas vezes, é olhado primeiro pelo que faz e muito menos pelo que sente. É aqui que o tema mãe e amante se torna delicado: como reencontrar uma relação íntima com um corpo que percecionamos sobretudo como funcional?

    Muitas mulheres descrevem-me o mesmo desfasamento: não sentem necessariamente uma rutura com o parceiro, mas têm dificuldade em voltar a ligar-se às próprias sensações. Não é necessariamente uma rejeição do sexo, nem falta de amor, nem desinteresse definitivo. É, por vezes, apenas uma distância criada pelo cansaço, pelas novas sensações, por possíveis dores, pela menor disponibilidade mental ou pelo olhar mais severo que lançamos sobre nós próprias.

    Do lado do casal, este período pode criar mal-entendidos. Algumas mulheres sentem-se observadas quando gostariam apenas de ser olhadas com ternura. Alguns homens hesitam, recuam ou interpretam o silêncio como uma rejeição pessoal. Mais uma vez, ninguém tem um manual. Cada um tenta avançar com as suas referências, os seus medos e a sua história.

    Acho útil recordar que um corpo materno não perdeu nada da sua capacidade de sentir. Pode precisar de tempo, segurança, lentidão, de um ritmo diferente, mas não se tornou estranho ao desejo. Se a questão do conforto íntimo lhe interessa, pode também consultar o meu guia do períneo, que ajuda a compreender melhor esta zona, muitas vezes mencionada, mas nem sempre bem conhecida.

    casal na intimidade depois da maternidade, à procura de se reencontrar sem pressão

    🌿 A carga mental: o verdadeiro obstáculo que muitas subestimam

    Vou ser franca: para muitas mulheres, o problema não é a ausência total de desejo. O problema é a falta de espaço interior para o deixar existir. Quando a mente está permanentemente ocupada, o corpo tem dificuldade em acompanhar. A carga mental não é uma expressão da moda, é uma realidade muito concreta. Assume a forma de uma lista que nunca termina: pensar nas refeições, na roupa, nas consultas, na escola, na logística, nas lavagens, nas mensagens, nas compras, no sono do bebé, no que falta, no que será preciso antecipar amanhã.

    Neste contexto, a libido não desaparece necessariamente. Fica para trás de tudo o resto. Já não tem espaço para surgir espontaneamente. E este ponto é essencial porque evita muitas conclusões injustas. Não, não és “fria”. Não tens necessariamente um “bloqueio”. A tua relação não está necessariamente terminada. Talvez estejas apenas saturada.

    O desejo feminino é muitas vezes contextual. Depende do ambiente emocional, da segurança e da sensação de ser vista de outra forma que não apenas como a pessoa que trata de tudo. Depende também do tempo de transição entre o modo “faço a casa funcionar” e o modo “posso sentir alguma coisa por mim”. Esta transição é totalmente esquecida por muitos casais.

    Concretamente, eis o que costuma pesar mais:

    • a falta de sono
    • a impressão de nunca conseguir desligar
    • a sensação de ser mais gestora do que parceira
    • a dificuldade em voltar a ter disponibilidade para si própria
    • uma divisão desigual das tarefas do dia a dia

    Se quiseres aprofundar a dinâmica do casal para além da sexualidade, recomendo também o guia do casal. E, para recriar um ambiente mais tranquilo, algumas pessoas gostam de recorrer a soluções simples como o ambiente de massagem, os óleos de massagem ou as velas de massagem, não para “resolver” alguma coisa, mas para devolver um lugar ao corpo no dia a dia.

    casal exausto após a chegada de um bebé, entre o cansaço, a carga mental e a intimidade fragilizada


    🧩 A perspetiva dos homens: desejo, falta de jeito, expectativa e medo de fazer algo errado

    Fala-se muitas vezes da experiência das mulheres depois da maternidade, e isso é normal, mas também é preciso olhar para o que acontece do lado dos homens. Eles também atravessam uma mudança. Também podem sentir-se desestabilizados. Alguns vivem a chegada do bebé como uma deslocação afetiva: toda a atenção parece legitimamente virada para o bebé, e já não sabem muito bem qual é o seu lugar na relação. Outros sentem desejo, mas já não se atrevem a exprimi-lo, por receio de serem inconvenientes, insistentes ou egoístas.

    Esta confusão masculina raramente é expressa com subtileza. Surge muitas vezes sob a forma de uma frustração seca, de um afastamento, de um silêncio ou de um embaraço. Por detrás disso, há, no entanto, muitas vezes, uma pergunta mais simples: “Como voltar a encontrar-te sem te acrescentar mais uma carga?” O problema é que essa pergunta nem sempre é colocada dessa forma. Então, cada um fecha-se nas suas próprias interpretações.

    Também há homens que se censuram porque veem de forma diferente a mãe do seu filho. Pode parecer estranho, mas é frequente. O papel materno torna-se tão central que têm dificuldade em conciliar essa imagem com o seu desejo pela parceira. Mais uma vez, não se trata necessariamente de falta de atração. Por vezes, é uma herança cultural muito antiga: a mãe respeitável de um lado, a mulher desejada do outro. Como se as duas não pudessem ser a mesma pessoa.

    Quando ninguém fala sobre isso, o mal-entendido instala-se rapidamente. A mulher pode pensar que já não é desejada. O homem pode acreditar que está a ser rejeitado. Quando, na realidade, ambos sofrem muitas vezes com padrões que os ultrapassam. O diálogo não apaga tudo, mas evita, pelo menos, transformar o silêncio em verdade.


    🎓 A educação e as normas: o guião invisível que se intromete no quarto

    Nunca construímos a nossa vida íntima a partir do nada. Todos chegamos com uma bagagem. A questão da mãe e amante é profundamente atravessada pela educação. Muitas mulheres cresceram com imposições relacionadas com a sensatez, a contenção, a respeitabilidade, o “sê boazinha”, o “não penses só em ti”, o “uma mãe deve ser exemplar”. Muitos homens cresceram com outras mensagens: ser o motor, tomar a iniciativa, desejar, não mostrar demasiado as suas dúvidas, cumprir o seu papel.

    Quando chega um filho, estes cenários antigos vêm à superfície. A mulher pode ter dificuldade em permitir-se voltar a ser sujeito do seu desejo. O homem pode já não saber como se adaptar a uma parceira que também vê como mãe. Ambos se deparam então com papéis herdados que não escolheram conscientemente, mas que, ainda assim, organizam parte das suas reações.

    Este ponto é fundamental porque muda tudo: mostra que o mal-estar não é necessariamente pessoal. Por vezes, é cultural, familiar, educativo. Compreender a sua origem já permite julgarmo-nos menos. E, por vezes, permite também encontrar melhores palavras na relação.

    Por vezes, estes padrões mergulham ainda mais fundo na história pessoal. Se sentes que certos medos, alguns constrangimentos ou determinadas reações ultrapassam o âmbito da maternidade, o meu artigo traumas de infância e sexualidade pode ajudar-te a pôr em palavras aquilo que, por vezes, permanece indefinido.


    👀 O olhar exterior: aquele que pesa mesmo quando ninguém fala

    A tudo isto acrescenta-se um peso discreto, mas muito real: o olhar dos outros. O da família, das pessoas próximas, por vezes das redes sociais, e até de outros pais. Rapidamente, uma mãe fica presa a uma imagem esperada: fiável, séria, dedicada, organizada, quase “acima” da sua vida íntima. Neste cenário, o desejo torna-se invisível, ou até suspeito.

    O olhar exterior nem sempre assume a forma de um comentário direto. Pode manifestar-se através de um sorriso, de uma frase, de um constrangimento, de uma pequena observação sobre uma roupa, uma maneira de falar ou uma ideia do que seria “apropriado”. E, mesmo sem palavras, muitas mulheres interiorizam desde cedo a ideia de que uma mãe deve apagar-se um pouco enquanto mulher.

    O problema é que esta pressão acaba muitas vezes por se tornar interior. Já não nos perguntamos o que sentimos, mas o que deveríamos sentir. E, com o tempo, a espontaneidade recua. O direito ao prazer não desaparece, mas fica coberto por um filtro moral que nada tem de natural.


    🧨 Uma frase que marca… e que permanece durante muito tempo

    Há frases familiares que se instalam como leis silenciosas. Uma mulher pode ter ouvido, desde muito nova, que uma mãe devia ser “asseada”, “ajuizada”, “respeitável”, “superior a essas coisas”. Por vezes, estas palavras parecem não significar nada, mas criam um enquadramento poderoso. A mensagem implícita torna-se clara: depois de ser mãe, o desejo deve manter-se discreto.

    Este tipo de frase fala menos de sexualidade do que de moral. Mistura o corpo, o papel social, a honra e a respeitabilidade. Mais tarde, pode gerar culpa, constrangimento, uma forma de autocontrolo ou dificuldade em deixar-se levar. Muitas mulheres pensam ter “um problema de libido”, quando, na realidade, vivem há anos com um desejo observado a partir de dentro.

    O primeiro passo nem sempre é “reavivar” o que quer que seja. Por vezes, é simplesmente compreender que certas ideias não vêm de nós, mas de uma transmissão antiga. E que temos o direito de deixar de lhes obedecer.


    🪞 Quando alguns homens já não ousam desejar

    Os homens também recebem as suas próprias mensagens implícitas. Também podem aprender, sem que isso seja claramente expresso, que uma mãe merece respeito, mas que já não deve ser vista exatamente como antes. Isto cria, por vezes, um desconforto difícil de confessar. Alguns homens continuam a desejar a sua companheira, mas já não se atrevem a olhá-la, tocá-la ou propor-lhe certas coisas com a mesma naturalidade.

    Eles têm medo de ser inconvenientes, de exercer pressão, de escolher um momento inadequado, de despertar uma ferida ou de não compreender qual é o momento certo. Esta contenção é por vezes interpretada como desinteresse, quando pode resultar de um excesso de prudência. A mulher sente-se rejeitada, o homem julga estar a ser respeitador, e nenhum dos dois vê claramente o cenário que está a desenrolar-se.

    Não é automático, claro, mas é frequente. E quando pomos isto em palavras, já estamos a sair de uma armadilha. Porque um silêncio nem sempre significa falta de desejo. Também pode ser medo de fazer algo errado.


    😌 Libertar-se da culpa: a base antes de tudo

    Acredito profundamente que não se pode reconstruir nada de bom na vida íntima quando a culpa está presente em todo o lado. Ora, na questão de ser mãe e amante, ela infiltra-se facilmente. Culpa por já não ter vontade. Culpa por ainda ter vontade. Culpa por pensar em si própria. Culpa por fazer o outro esperar. Culpa por estar demasiado cansada. Culpa por não conseguir “voltar a ser como antes”.

    É preciso sair desta armadilha. A sexualidade não é um dever conjugal nem uma prova de realização pessoal. É uma dimensão viva que varia consoante as fases, os estados interiores, a relação, o contexto e o corpo. Depois da maternidade, é frequente o desejo mudar de forma. Pode ser menos espontâneo, menos rápido, menos previsível. Isso não significa que tenha morrido. Muitas vezes, significa que precisa de outras condições.

    Libertar-se da culpa não significa negar as dificuldades. Significa recusar transformá-las num julgamento sobre si própria. É dizer: “estou a atravessar uma fase”, em vez de pensar “tornei-me numa pessoa incapaz”. Esta nuance faz uma grande diferença. Abre um espaço mais justo, mais respirável e mais propício à retoma do diálogo.

    E nesse caminho, algumas pessoas gostam de voltar a conectar-se consigo próprias através de coisas muito simples: o toque, os cuidados, o tempo lento ou, por vezes, uma exploração ao seu ritmo através de lubrificantes à base de água ou brinquedos sexuais para mulheres. Não se trata de ir depressa, mas de devolver ao corpo um lugar que não seja apenas funcional.


    ✨ Nada é imutável: o desejo muda muitas vezes de forma, não necessariamente de profundidade

    A boa notícia é que muito poucas situações são imutáveis. O que muda depois de se ter um filho não é apenas a frequência ou a intensidade do desejo. É a forma como ele surge. Antes, podia ser espontâneo, imediato, mais simples. Depois, pode tornar-se mais progressivo, mais contextual, mais ligado à qualidade da presença, ao nível de cansaço, à sensação de segurança, à impressão de que a carga não recai sobre uma só pessoa.

    Muitos casais cometem o erro de tentar “voltar ao que eram antes”. Este reflexo é compreensível, mas nem sempre é realista. Depois de uma grande transformação, não se regressa necessariamente ao esquema anterior. Por vezes, constrói-se algo diferente, mais maduro, mais consciente, menos automático. Não é pior. É diferente.

    Recuperar o desejo nem sempre passa por uma grande conversa espetacular nem por um objetivo a alcançar. Muitas vezes passa por pequenos detalhes repetidos: falar de outra forma, aliviar um pouco o quotidiano, recriar tempo a dois, sair do papel exclusivo de pais, voltar a dar-se um lugar enquanto parceiros. A qualidade deste ambiente conta imenso.

    E não, não existe uma única forma certa de viver a intimidade depois da maternidade. Para alguns casais, passa pela ternura. Para outros, pelo riso. Para outros ainda, por ousarem voltar a falar sobre aquilo de que gostam ou sobre o que já não se atrevem a dizer. O importante é abandonar a ideia de que é preciso ter um desempenho ou cumprir algum requisito.

    casal de mãos dadas, símbolo de cumplicidade, apoio e ligação após a parentalidade

    🌙 Recriar um espaço íntimo, sem objetivos e sem se vigiar

    Quando se fala de mãe e amante, muitas pessoas procuram uma “solução” rápida. Eu não acredito nisso. Acredito mais na criação de um espaço íntimo realista. Um espaço onde não se espera imediatamente um resultado, onde cada aproximação não é transformada num teste, onde se dá ao corpo e à relação tempo para voltarem a entrar em movimento.

    Este espaço pode assumir formas muito simples. Pode começar por um momento sem telemóvel, uma refeição em que não se fala apenas da organização, uma verdadeira presença física, uma forma de ternura que não exige nada em troca. O desejo regressa mais facilmente quando não é convocado à força.

    Para algumas pessoas, a porta de entrada passa pelo toque não sexual. Para outras, pelo cuidado. Para outras ainda, por uma exploração mais íntima, mas escolhida, tranquila e sem pressão. Se te apetecer explorar esta possibilidade, recomendo-te o meu artigo massagem e relaxamento: quando a sensualidade se alia ao bem-estar. Também podes explorar a minha coleção de brinquedos sexuais se quiseres abrir uma porta mais adulta ao teu ritmo, ou ainda o meu guia de massagem se quiseres referências simples para voltar a colocar o contacto no centro.

    Aconselho-te frequentemente a evitar três armadilhas:

    • pensar que a intimidade tem necessariamente de levar a uma relação sexual
    • querer reencontrar exatamente os mesmos pontos de referência de antes
    • interpretar cada período de menor proximidade como um sinal de fracasso

    Em geral, o que mais ajuda é devolver segurança, calma e um pouco de brincadeira a um quotidiano que delas carece.

    casal feliz a reencontrar uma intimidade simples, doce e cúmplice depois dos filhos


    O desejo não tira nada à maternidade. Limita-se a recordar que uma mulher continua a ser inteira.

    ✨ Conclusão

    Ser mãe não apaga a mulher. Ser uma mulher desejante não tira nada à mãe. O tema da mãe e da amante torna-se doloroso sobretudo quando fica preso a expectativas rígidas, comparações ou papéis demasiado limitados. Ora, a vida íntima não funciona como um exame que é preciso passar. Evolui com as diferentes fases da vida.

    Podes atravessar um período de distância, hesitação, cansaço ou dúvida sem que isso revele toda a verdade sobre a tua relação ou o teu desejo. O essencial não é voltar a fazer exatamente como antes. É dar-te o direito de existir nesta nova etapa, com o teu ritmo, o teu corpo, a tua história e a tua necessidade de espaço.

    FAQ - Questions fréquentes : maternité, désir et vie de couple

    Est-ce normal d'avoir moins de désir après avoir eu un bébé ?

    Oui, c'est très fréquent. La fatigue, la charge mentale, les changements corporels et les nouveaux repères dans le couple peuvent tous influencer le désir. Ce n'est ni un blocage ni un problème à réparer : le désir féminin dépend fortement du contexte et de l'espace mental disponible.

    Une baisse de désir signifie-t-elle qu'on n'aime plus son partenaire ?

    Non. Une baisse de désir n'est pas un test d'amour. C'est souvent le contexte qui a changé — fatigue, nouvelle organisation, charge mentale — et non les sentiments. Recréer de la proximité émotionnelle aide déjà beaucoup avant même de parler sexualité.

    Comment parler à son partenaire qui se sent rejeté sans créer de conflit ?

    Choisissez un moment neutre, parlez en "je" et expliquez le contexte : fatigue, charge mentale, besoin d'espace. L'objectif n'est pas de gagner un débat mais de se comprendre. Le silence crée souvent des malentendus là où personne ne fait vraiment mal.

    Peut-on être à la fois mère et femme désirante ?

    Absolument. Être mère ajoute une facette à la femme, elle ne l'efface pas. Avoir du désir ne retire rien à l'amour parental, et ne pas en avoir pendant un temps ne fait pas de vous une femme "éteinte". La sexualité est un langage vivant qui évolue avec les étapes de la vie.

    Choisissez un moment neutre, parlez en "je" et expliquez le contexte : fatigue, charge mentale, besoin d'espace. L'objectif n'est pas de gagner un débat mais de se comprendre. Le silence crée souvent des malentendus là où personne ne fait vraiment mal.

    L'éducation façonne nos rôles, nos attentes et notre rapport au corps. Les femmes apprennent souvent à être disponibles et responsables, les hommes à être performants. Quand un enfant arrive, ces schémas ressurgissent et peuvent créer de la distance ou de la culpabilité, sans que personne ne soit en tort.

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    Alicia - Adopt1Toy

    Fundadora da Adopt1Toy.
    Depois de 10 anos em lojas físicas de produtos eróticos e vários anos
    em grandes casas de lingerie, criei a Adopt1Toy para
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