Escrito por Alicia Deroussen, fundadora da Adopt1Toy — conselhos sem tabus, com carinho.
Uma loveroom é apenas um hotel com um jacuzzi. Toda a gente sabe.
Bem, não. Não exatamente. E é precisamente porque esta ideia circula que tantos casais saem de uma noite «especial» com uma ligeira desilusão — e convencidos de que foi sobrevalorizada. Por isso, decidi desmontar os atalhos, um após outro, com base no que observo há anos na loja.
O que é realmente uma loveroom (definição precisa)

Antes de demolirmos as ideias preconcebidas, estabeleçamos uma base clara — porque é exatamente este tipo de definição que o Google adora destacar e, sobretudo, porque evita mal-entendidos a 90 € por noite.
Uma loveroom é um quarto ou apartamento privado concebido especificamente para o prazer íntimo, distinguindo-se de um quarto de hotel clássico pela sua ergonomia dedicada aos casais: jacuzzi ou banheira de hidromassagem dupla integrada na zona de estar, iluminação regulável, espelhos posicionados estrategicamente, isolamento acústico reforçado e, por vezes, equipamentos específicos (barras de apoio, sistemas de áudio privados, mobiliário adaptado).

Não é uma suite de luxo. Não é um quarto romântico com pétalas de rosas. É um espaço pensado de A a Z para que dois corpos — ou mais — vivam juntos um momento de prazer desligado do quotidiano. A distinção é importante.
Loveroom vs quarto romântico vs suite: as verdadeiras diferenças
| Critério | Quarto romântico | Suite de luxo | Loveroom |
|---|---|---|---|
| Objetivo principal | Estética e atmosfera | Conforto e prestígio | Prazer íntimo e ergonomia |
| Jacuzzi / hidromassagem | Por vezes (casa de banho separada) | Frequentemente (casa de banho) | Integrada no quarto |
| Espelhos | Padrão | Padrão ou decoração | Posicionados intencionalmente |
| Isolamento acústico | Padrão de hotel | Boa | Reforçada (frequentemente) |
| Iluminação | Luz suave fixa | Variável | Regulável (cores, intensidade) |
| Preço médio em França | 80-150 € | 200-500 € | 90-250 € |
| Privatização total | Não | Não | Frequentemente (entrada independente) |
"Uma loveroom é apenas um hotel clássico com uma banheira de hidromassagem"
Percebo a ideia. Imaginamos um hotel normal, uma banheira um pouco maior e uma conta duplicada. Mas uma loveroom pensada a sério é um espaço inteiro concebido em torno do prazer — a luz, a acústica, a disposição da cama em relação à zona de banho, por vezes até os espelhos no teto ou as barras de apoio no duche. Não é simplesmente um upgrade do quarto.

A verdadeira diferença: num quarto de hotel standard, a disposição foi pensada para dormir e trabalhar. Numa loveroom, foi pensada para que dois corpos (ou mais) vivam juntos um momento de prazer desligado do quotidiano. Não é um pormenor.
O que faz (ou desfaz) a qualidade de uma loveroom
O que deve verificar antes de reservar:
- O jacuzzi fica no quarto ou numa casa de banho separada? A diferença no ambiente é considerável.
- A entrada é realmente independente? Passar por uma receção cheia de gente, de roupão, é menos ideal.
- As fotografias correspondem ao quarto reservado e não à melhor suite do estabelecimento?
- É mencionada a insonorização nas avaliações recentes? Este é muitas vezes o ponto fraco dos estabelecimentos que aproveitam a tendência sem investir.
O que é verdade, por outro lado, é que nem todas as loverooms são iguais. Há algumas medíocres, outras kitsch à moda de Las Vegas dos anos 90, e outras realmente bonitas. A diferença vê-se nas fotografias — e, sobretudo, nas avaliações com menos de seis meses.
«É caríssimo, não vale a pena»
O preço de uma loveroom em França varia geralmente entre 90 € e 250 € por noite, consoante o estabelecimento, a cidade e os equipamentos. É mais do que um quarto básico, sim. Mas, comparado com o custo de uma noite num restaurante para duas pessoas, com cocktails e gorjetas, acaba por fazer sentido.
O que as pessoas se esquecem de incluir neste cálculo: uma loveroom substitui muitas vezes várias despesas de uma só vez. Não é preciso reservar restaurante, apanhar um táxi para regressar ou fazer um esforço para criar ambiente em casa enquanto o gato reclama a sua comida. É uma pausa com tudo incluído.
Durante a semana vs. fim de semana: uma diferença de preço que muda tudo
Um segredo que poucas pessoas aproveitam realmente: as loverooms de quarta para quinta-feira custam, por vezes, 30 a 40% menos do que no sábado à noite. E, claramente, isso não tira nada ao prazer. Se os vossos horários o permitirem, é muitas vezes a melhor opção — menos gente, pessoal mais disponível, preços reduzidos.
A verdadeira questão não é «é caro?», mas sim «será que vale alguma coisa para nós?». E só vocês, enquanto casal, podem responder a isso.
"Não é preciso levar nada, está tudo incluído"
É aqui que muitos casais se enganam. Sim, as loverooms fornecem roupa de cama, por vezes roupões e alguns produtos de banho. Mas «é tudo fornecido» é um exagero conveniente.
O que levar (e que ninguém te diz)
O que levamos sistematicamente (e que incentivo todas as minhas clientes a porem na mala):
- Lubrificantes de qualidade. As saquetas monodose dos hotéis, quando existem, são frequentemente básicas e em quantidade insuficiente. Um bom lubrificante à base de água cabe em qualquer kit — e faz a diferença, sobretudo na água do jacuzzi, onde os lubrificantes naturais desaparecem muito rapidamente.
- Brinquedos discretos. Uma noite numa loveroom é precisamente o momento certo para tirar da gaveta um brinquedo que lá espera há demasiado tempo. O ambiente permite-o, e o tempo também. Não te esqueças do carregador (cabo USB) ou de pilhas suplentes — seria uma pena ficares sem energia no pior momento.
- Uma playlist. Por mais disparatado que pareça, a música ambiente fornecida pelo hotel pode cortar-te o desejo em dois minutos. Prepara algo teu, descarregado localmente para não dependeres do Wi-Fi.
- Petiscos ou uma garrafa. Os minibares dos hotéis são caríssimos. Pôr uma garrafa de champanhe ou alguns mimos na mala é um gesto simples que muda o ambiente.
O que não é preciso levar: lençóis, almofadas extra, toalhas. Isso, sim, é fornecido.
"É para casais em crise que querem 'reacender a chama'"
Este mito irrita-me particularmente. Cola às loverooms o rótulo de «terapia de casal em último recurso», que é simultaneamente injusto e inexato.
A maioria das reservas que vejo entre a minha clientela? Casais que estão bem e querem sair da rotina. Pessoas que celebram um aniversário, uma promoção, uma conquista. Pessoas sozinhas que oferecem a si próprias uma noite. Amigos chegados que experimentam algo. Casais que se redescobrem depois de um período de stress intenso — não por estarem em crise, mas simplesmente exaustos.
"O desejo não se mantém com esforços heroicos. Mantém-se com pequenas ruturas regulares da rotina." — Esther Perel, terapeuta de casais, autora de A inteligência erótica
Uma loveroom não é um sinal de alarme. É uma escolha consciente de nos colocarmos em primeiro lugar. A diferença é enorme.

Os perfis que fazem reservas — e o que fazem com elas
Para dissipar de uma vez por todas essa ideia preconcebida, eis o que observo:
- Os casais com uma relação duradoura (5-15 anos juntos) que procuram sair da rotina doméstica sem partir em viagem.
- Os casais recentes que querem assinalar um momento num ambiente neutro e afastado do quotidiano de um ou do outro.
- As pessoas que estão sozinhas e oferecem a si próprias uma noite de bem-estar e espaço só para elas. É mais comum do que pensamos.
- Os aniversários e marcos importantes — um ano juntos, um diploma, um novo emprego. A loveroom como ritual de celebração.
"O ambiente faz tudo, não é preciso preparar nada"
O ambiente ajuda, é verdade. Luzes suaves, um banho quente, um espaço afastado do quotidiano — tudo isso cria uma janela favorável. Mas acreditar que o quarto fará o trabalho por ti é escolher o fator errado.
O que torna realmente uma noite memorável é o que levamos connosco: uma comunicação aberta sobre aquilo que queremos experimentar, uma intenção definida antes de chegar (não um guião — uma intenção) e a capacidade de rir se algo não correr como previsto.
Tive clientes que me contaram noites numa loveroom em que nada aconteceu como previsto — o jacuzzi estava avariado, o Wi-Fi não funcionava — e que, ainda assim, tiveram uma noite de que continuam a falar dois anos depois. Porque levaram a energia certa, não apenas a bagagem certa.
Três rituais simples para fazer antes de chegar
- Definam uma intenção em conjunto. Não é preciso um programa hora a hora. Basta uma frase decidida em conjunto: «esta noite, deixamos tudo para trás, somos apenas nós os dois». Parece insignificante — mas define tudo.
- Desativa as notificações. Ativa o modo de voo assim que entrares no quarto. É banal dizê-lo e, na verdade, ninguém o faz. Quem o faz diz-me sistematicamente que foi esse pormenor que mudou tudo.
- Prepara o teu saco com intenção. Não apenas «roupa». Leva aquilo que te faz bem: os teus acessórios preferidos, a tua playlist, aquele lubrificante de qualidade que guardas para as grandes ocasiões.
"É preciso reservar com muita antecedência ou é impossível"
Numa grande cidade, num sábado à noite durante o período do Dia dos Namorados ou das festas? Sim, é preciso antecipar. Mas, em 80% dos casos, uma reserva feita com duas a três semanas de antecedência é mais do que suficiente, incluindo durante a semana em cidades médias.
Plataformas especializadas como a Love Hôtels ou os filtros «romântico» no Booking permitem encontrar rapidamente opções geolocalizadas com avaliações recentes. Aconselho sempre a ler as avaliações com menos de seis meses — as loverooms podem degradar-se rapidamente se a manutenção não for rigorosa.
Como ler as avaliações sem se deixarem enganar
- Filtrem obrigatoriamente pelos últimos 6 meses. Uma loveroom que era boa em 2022 pode estar degradada hoje.
- Procurem referências ao jacuzzi nas avaliações negativas. «A água estava fria», «os jatos não funcionavam» — são sinais concretos, não caprichos.
- Liguem para o estabelecimento. Um bom hotel responde sem hesitar à pergunta «o jacuzzi do quarto X está a funcionar bem?». Um mau hotel desvia-se da pergunta.
- Verifiquem se as fotografias correspondem ao quarto reservado. Alguns estabelecimentos mostram a sua melhor suite, mas alugam outra coisa.
"Uma única noite é demasiado curta para valer realmente a pena"
Compreendo a intuição. Pensamos que uma única noite vai passar depressa demais, que não teremos tempo para «rentabilizá-la». Mas, na prática, acontece exatamente o contrário.
A limitação de tempo cria uma intensidade especial. Quando sabemos que temos apenas aquela noite e aquela manhã, largamos mais facilmente o telemóvel, estamos mais presentes e falamos realmente. A urgência suave de uma única noite é, por vezes, mais poderosa do que um fim de semana inteiro, em que acabamos por adiar o momento.
Dito isto, se puderem ficar duas noites, a segunda é muitas vezes a melhor: na primeira, exploram o espaço; na segunda, sentem-se em casa.
Os três reflexos que fazem a diferença
O que retenho após anos a observar casais que regressam destas pausas:
- Preparar a mala com intenção — não apenas roupa, mas aquilo que vos faz bem: brinquedos, uma playlist, aquele lubrificante de qualidade que nunca usam em casa
- Definir uma intenção antes de chegar — não um programa, apenas uma frase: «esta noite, somos só nós os dois, sem agenda»
- Manter o telemóvel em modo de avião — é banal dizê-lo e, na verdade, ninguém o faz; quem o faz diz-me sistematicamente que foi esse detalhe que mudou tudo
O que ainda não sei — e que ninguém consegue realmente prever — é o que uma noite assim vai despertar em vocês. Às vezes é uma conversa que não tinham há anos. Às vezes é uma gargalhada às três da manhã porque o jacuzzi transbordou. Às vezes é simplesmente o silêncio de duas pessoas que já não precisam de dizer nada. A loveroom é o cenário. O que fazem com ela depende inteiramente de vocês.
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