A masturbação masculina é frequentemente abordada com ligeireza nos meios de comunicação social, como se fosse algo natural. No entanto, muitos homens fazem-na da mesma forma desde a adolescência, sem nunca refletirem verdadeiramente sobre o que fazem, por que o fazem ou como vivê-la melhor. A masturbação não é apenas um reflexo: é um gesto que pode construir ou prejudicar a tua sexualidade partilhada, dependendo da forma como a praticas. Proponho-te aqui uma perspetiva direta e prática: o que é realmente normal, o que pode ser problemático e como transformar este momento numa verdadeira mais-valia para o teu bem-estar e para a tua vida íntima.
Masturbação masculina: o que sabemos realmente?
Comecemos pelos factos. Segundo os estudos do IFOP e os grandes inquéritos franceses sobre sexualidade, cerca de 95% dos homens adultos afirmam masturbar-se regularmente, com uma frequência que varia bastante consoante a idade e os contextos (diariamente para alguns, semanalmente para outros, ocasionalmente para uma minoria).
A masturbação começa, em média, na puberdade e acompanha o homem ao longo de toda a vida, independentemente do seu estado civil. Estar numa relação não reduz significativamente a frequência: os homens que estão numa relação continuam a masturbar-se, muitas vezes como complemento da sua vida sexual a dois. É uma prática que tem o seu próprio papel, distinto da sexualidade partilhada.
O que importa reter: a masturbação masculina é universal, normal e inofensiva na esmagadora maioria dos casos. As velhas crenças (que deixa surdo, que cansa, que reduz o esperma, que faz crescer os pelos) não têm qualquer fundamento científico. É uma prática de saúde como tantas outras.
Os benefícios da masturbação
Para além do prazer imediato, a masturbação traz vários benefícios bem documentados.
Redução do stress e melhoria do sono
O orgasmo desencadeia uma cascata hormonal (endorfinas, oxitocina, prolactina) que relaxa o corpo e favorece o adormecimento. Muitos homens utilizam a masturbação como ferramenta contra a insónia, e isso é perfeitamente legítimo do ponto de vista fisiológico. O cocktail hormonal pós-orgasmo é semelhante ao de um ansiolítico natural.
Conhecimento do próprio corpo
A masturbação é o laboratório da tua sexualidade. É aí que descobres o que te dá prazer, como o teu corpo reage e que variações de intensidade são adequadas para ti. Um homem que conhece o seu corpo saberá orientar melhor a sua parceira, comunicar melhor as suas preferências e gerir melhor a sua excitação. Para os homens que encontram dificuldades de controlo ejaculatório, a masturbação é mesmo uma ferramenta terapêutica de primeira linha.
Manutenção da função erétil
Tal como acontece com muitos músculos e sistemas, a regra é: «ou usas ou perdes». As ereções regulares mantêm a vascularização dos corpos cavernosos e previnem a disfunção erétil associada à idade. A masturbação desempenha este papel de manutenção, sobretudo nos homens que atravessam períodos sem atividade sexual partilhada.
Saúde da próstata
Vários estudos, incluindo o famoso estudo de Harvard com 30 000 homens, sugerem que uma frequência regular de ejaculação (cerca de 4 a 7 vezes por semana) está associada a um menor risco de cancro da próstata. Os mecanismos exatos ainda não são totalmente compreendidos, mas a relação é estatisticamente sólida.
Regulação do desejo
Masturbar-se permite regular o nível de desejo, o que pode ser valioso em determinadas situações: um desejo demasiado intenso que pode prejudicar um dia de trabalho, uma espera quando o casal está à distância, ou um momento em que a parceira não tem vontade. A masturbação torna-se um regulador emocional e físico.
As técnicas: sair do padrão único
Este é provavelmente o ponto mais interessante para muitos homens. A maioria masturba-se exatamente da mesma forma desde a adolescência: a mesma forma de pegar, o mesmo ritmo, o mesmo tempo. Este padrão rígido cria aquilo a que os sexólogos chamam síndrome do death grip: uma pega demasiado apertada, demasiado rápida e demasiado repetitiva, que habitua o pénis a um nível de estimulação impossível de reproduzir nas relações sexuais com uma parceira.
Os sinais do «death grip»
Podes identificar-te com um ou mais destes sintomas:
- Dificuldade em atingir o orgasmo durante as relações sexuais, apesar de a masturbação ser rápida
- Sensação de «falta» durante a penetração, como se a estimulação não fosse suficiente
- Necessidade de imaginar um cenário mental específico para atingir o orgasmo a dois
- Ejaculação retardada que cansa a parceira
- Diminuição global da sensibilidade do pénis
Como sair do padrão
A boa notícia: o fenómeno é totalmente reversível em poucas semanas. Eis algumas sugestões concretas.
Variar a forma de pegar: usar a mão esquerda em vez da direita, uma pega mais descontraída, usar apenas dois dedos em vez da mão inteira. Cada variação desperta novas terminações nervosas.
Abrandar: a maioria dos homens masturba-se muito mais depressa do que uma parceira conseguiria fazê-lo. Abrandar deliberadamente durante algumas sessões reeduca a sensibilidade.
Utilizar lubrificante: o lubrificante à base de água ou de silicone altera a sensação, torna o deslizamento mais fluido e aproxima as sensações das de uma relação sexual. Também é mais suave para a pele a longo prazo.
Experimentar um masturbador: os masturbadores simples reproduzem uma sensação semelhante à de uma vagina ou de uma boca, com pressão variável e texturas internas que estimulam outras zonas da glande e do pénis. É uma das ferramentas mais eficazes para sair de um padrão repetitivo. Os ovos masturbadores são uma opção de entrada muito acessível.
Os masturbadores automáticos: os masturbadores automáticos vão mais longe com movimentos de vaivém ajustáveis, que deixam as mãos livres e permitem descobrir sensações completamente novas. O investimento é mais elevado, mas o ganho em termos de variedade sensorial é considerável.
Ir mais longe: explorar outras sensações
Para além do pénis, o corpo masculino tem outras zonas que merecem ser exploradas. Muitos homens descobrem, aos 30, 40 ou 50 anos, sensações que poderiam ter vivido muito mais cedo.
A estimulação dos testículos
Os testículos estão rodeados de terminações nervosas frequentemente ignoradas. Uma carícia suave, uma massagem ligeira durante a masturbação ou uma pressão moderada à medida que o orgasmo se aproxima: todos estes gestos amplificam consideravelmente o prazer.
O períneo
Esta zona entre os testículos e o ânus é extremamente sensível e está diretamente ligada à próstata. Uma pressão ritmada com dois dedos durante a masturbação pode intensificar o orgasmo e prolongar a ejaculação. É um ponto de entrada simples para os homens que querem explorar sem recorrer à estimulação anal direta.
A próstata
O famoso “ponto P”, equivalente masculino do ponto G. Situado a cerca de 5–7 cm no interior do reto, junto à parede anterior, é estimulado através de uma pressão suave e ritmada. Os orgasmos prostáticos são descritos como mais intensos, mais longos e, por vezes, múltiplos. Esta prática exige ultrapassar alguns tabus, mas não tem qualquer relação com a orientação sexual: é apenas uma parte do corpo masculino, como qualquer outra.
Para começar suavemente, um estimulador prostático concebido para principiantes é a ferramenta ideal. Os modelos de entrada de gama são pequenos, flexíveis e estão muitas vezes equipados com um motor para uma estimulação passiva. Utilize sempre bastante lubrificante (de silicone ou à base de água, consoante o material do brinquedo) e não tenha pressa.
Os mamilos
Embora sejam menos estimulados nos homens, os mamilos podem, ainda assim, ser estimulados eficazmente. Uma pressão variável, uma carícia suave ou uma sucção (se houver parceiro) criam sensações que complementam o orgasmo. Não é algo reservado às mulheres.
Masturbação e casal: falar abertamente
É um tema que deixa muitos homens e muitos casais desconfortáveis. Algumas mulheres encaram a masturbação do companheiro como uma rejeição: «Porque é que ele se masturba se pode fazer amor comigo?». Alguns homens escondem esta prática por receio desse julgamento.
A verdade é que a masturbação e a sexualidade do casal são complementares, não concorrentes. Os casais que falam abertamente sobre o assunto encontram geralmente um equilíbrio natural. Muitos descobrem até o prazer de se masturbarem juntos, cada um por si, na mesma divisão: é um dos jogos eróticos mais subestimados.
Por vezes, uma frequência excessiva pode tornar-se problemática, sobretudo quando substitui a sexualidade partilhada ou consome horas do dia. Nestes casos, é sinal de um desequilíbrio que é preciso compreender. O meu artigo sobre a dependência sexual pode ajudar a esclarecer estas situações. Mas atenção para não confundir: a masturbação diária de um homem que, de resto, tem uma vida plena não é uma dependência, mas uma prática normal.
Para os casais que querem integrar esta dimensão, os brinquedos para casais abrem possibilidades interessantes: observar o outro, guiar-lhe a mão, partilhar as técnicas preferidas. A transparência sobre este tema torna-se rapidamente um catalisador da cumplicidade.
Masturbação e pornografia: o verdadeiro desafio
A verdadeira questão não é a masturbação em si, mas a sua associação quase sistemática à pornografia por parte de muitos homens. Quando cada sessão de masturbação é acompanhada de conteúdos pornográficos, o cérebro associa duradouramente o prazer à estimulação visual externa. Resultado: sem imagens, o desejo enfraquece; numa relação, a parceira já não provoca a mesma excitação.
Para compreender os seus mecanismos e efeitos a longo prazo, o meu artigo sobre a pornografia e a sua influência explica tudo o que precisa de saber.
Uma prática saudável consiste em variar os suportes: masturbar-te às vezes sem nada (apenas as sensações físicas), outras vezes com um cenário mental (as tuas próprias fantasias), por vezes com conteúdo erótico escrito ou áudio, e outras apenas com pornografia visual. Esta variedade evita a dependência de um único tipo de estimulação.
Quando consultar um profissional?
A masturbação torna-se problemática em alguns casos específicos que justificam uma consulta.
- Quando ocupa várias horas por dia e perturba o teu trabalho ou a tua vida social
- Quando já não consegues atingir o orgasmo durante as relações sexuais com um parceiro
- Quando é acompanhada por sentimentos persistentes de vergonha ou repulsa
- Quando te masturbas por obrigação, sem desejo real, para acalmar a ansiedade
- Quando constatas uma diminuição súbita da sensibilidade ou dores
- Quando os conteúdos consultados começam a incluir coisas que te incomodam a ti próprio
Nestes casos, um sexólogo ou um urologista (consoante a dimensão, psíquica ou física) são os interlocutores adequados. Não há qualquer vergonha em consultar um profissional sobre estes temas: são especialistas formados que ouvem estas questões diariamente.
Conclusão
A masturbação masculina é uma prática normal, útil e saudável quando vivida com um mínimo de variedade e consciência. A verdadeira questão não é se te masturbas, mas como. Um gesto único e automático, sempre associado ao mesmo conteúdo, pode tornar a tua sexualidade mais rígida. Pelo contrário, uma prática variada, curiosa e aberta a novas sensações enriquece toda a tua vida íntima.
Provavelmente começaste a masturbar-te antes de conheceres o teu corpo. Está na altura de o descobrires verdadeiramente, com mais calma e atenção. Os benefícios serão sentidos tanto a sós como em casal. O corpo masculino tem muito mais para oferecer do que aquilo que a maioria dos homens explora realmente.
Por Alicia Deroussen — a experiência da Adopt1Toy ao serviço do seu prazer.
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