SPM e libido: compreenda o seu ciclo para viver melhor a sua sexualidade

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    |Alicia Deroussen

    Redigido por Alicia Deroussen, fundadora da Adopt1Toy — conselhos sem tabus, com benevolência.

    Há alguns anos, uma cliente entrou na minha loja com uma pergunta que me deixou sem resposta: "É normal não me apetecer fazer nada durante dez dias por mês?" Referia-se à semana antes da menstruação — esse famoso vazio hormonal a que chamamos SPM, a síndrome pré-menstrual. Passei vinte minutos com ela nesse dia. Não para lhe vender fosse o que fosse — apenas para lhe explicar o que realmente acontece no seu corpo. E para lhe mostrar que esses dez dias não têm de ser um castigo. A SPM afeta entre 30 e 80% das pessoas menstruadas, segundo os estudos — e, no entanto, quase nunca se fala dela sob a perspetiva do prazer. Fala-se de cólicas, inchaço e irritabilidade. Raramente se fala do impacto na libido, na forma como queres (ou não) ser tocada, ou na tua relação com o teu corpo. É precisamente isso que vamos corrigir aqui.

    Chloe, a pata mascote da Adopt1Toy — a sorrir
    Chloe — Exatamente! O teu ciclo é uma informação, não uma condenação 🌸 Aprendemos a ouvi-lo, é só isso!
    Mulher de pijama cor-de-rosa, sentada numa cama desfeita, consulta o seu caderno de acompanhamento do ciclo enquanto segura uma chávena de chá de ervas

    SPM: o que acontece no teu corpo (sem uma aula teórica)

    A síndrome pré-menstrual (SPM) designa o conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem durante a fase lútea, ou seja, nos 7 a 14 dias que antecedem a menstruação. Fadiga, irritabilidade, inchaço, diminuição da libido: estas manifestações estão relacionadas com as flutuações hormonais do final do ciclo, nomeadamente a diminuição dos estrogénios e da progesterona.

    O ciclo menstrual tem, grosso modo, quatro fases. A fase folicular depois da menstruação, a ovulação a meio, a fase lútea antes da menstruação — e a própria menstruação. A SPM manifesta-se durante a fase lútea, ou seja, nos 7 a 14 dias que antecedem o fluxo menstrual. É nessa altura que a progesterona aumenta, os estrogénios diminuem e o teu cérebro recebe um cocktail hormonal que pode alterar tudo: a tua energia, o teu humor, a tua tolerância à frustração e, sim — a tua vontade de intimidade.

    A serotonina — o neurotransmissor do bem-estar — diminui durante este período em muitas pessoas. E a testosterona, que desempenha um papel direto no desejo sexual, também pode variar. O resultado? Por vezes, sentes-te à flor da pele, fisicamente hipersensível, com uma libido que desapareceu ou, pelo contrário, se intensificou — algumas pessoas sentem um aumento do desejo na fase lútea. O corpo é complexo e cada ciclo é diferente.

    Os sintomas que afetam a sexualidade

    Para além do humor, o SPM pode afetar diretamente a tua vida íntima de várias formas:

    • Seios tensos e doridos → alguns abraços ou posições tornam-se desconfortáveis
    • Inchaço abdominal → a relação com o corpo muda, e por vezes também o desejo de ser vista nua
    • Hipersensibilidade cutânea → algumas carícias sentidas como suaves tornam-se irritantes
    • Ligeira secura vaginal → a lubrificação natural pode diminuir no final do ciclo
    • Cãibras pélvicas → algumas posições tornam-se difíceis ou até dolorosas
    • Fadiga intensa → a energia para o sexo, mesmo quando há desejo, pode faltar

    E, paradoxalmente — ouço isto regularmente na loja — algumas pessoas sentem um aumento do desejo mesmo antes da menstruação. Como um último impulso hormonal. O corpo raramente é linear.

    O ciclo como bússola: o método da sincronização íntima do ciclo

    Descobri o conceito de sincronização do ciclo — sincronizar as atividades com o ciclo hormonal — há alguns anos, através de trabalhos como os de Flo Peri e da naturopata Alisa Vitti. A ideia de base: não tratar o teu ciclo como uma limitação, mas como um mapa de informação sobre o teu estado físico e emocional naquele momento.

    Aplicado à sexualidade, isto dá algo bastante revelador:

    Fase do ciclo Hormonas dominantes Libido frequentemente sentida O que resulta bem
    Menstruação (D1-D5) No nível mais baixo Variável, frequentemente voltada para si própria Masturbação suave, orgasmo anti-cãibras, massagem
    Fase folicular (D6-D13) Os estrogénios aumentam Frequentemente elevada, energia presente Aventura, novidade, posições dinâmicas
    Ovulação (D14-D17) Pico de estrogénios + testosterona Pico de desejo para muitas pessoas Sexo apaixonado, ligação intensa, exploração
    Fase lútea / SPM (D18-D28) Progesterona + descida dos estrogénios Frequentemente baixa ou hipersensível Suavidade, lentidão, prazer clitoriano, conforto

    Esta tabela não é uma lei universal. É uma tendência. O teu ciclo pode ser muito diferente — e é precisamente por isso que observar o teu próprio ritmo vale mil vezes mais do que confiar numa norma externa Vera, a pata mascote da Adopt1Toy — sorriso.

    Casal a rir numa cama desfeita; ela mostra a sua aplicação de ciclo ao parceiro num quarto com luz suave

    SPM e libido baixa: não é coisa da tua cabeça

    Quero dizê-lo claramente, porque demasiadas pessoas ouvem o contrário vezes sem conta: a diminuição da libido na fase pré-menstrual é fisiológica. Não é um problema do casal. Não é falta de vontade. Não é porque já não gostas do teu parceiro ou porque estás "com a cabeça noutro sítio". É bioquímica.

    O que está, na realidade, nas tuas mãos — no sentido positivo — é a forma como vais acolher esta informação, em vez de lutar contra ela. Vi dezenas de casais criarem tensões desnecessárias à volta deste período. O parceiro que interpreta a libido baixa como uma rejeição. A pessoa menstruada que se sente culpada por não querer. Este cenário pode ser evitado. Basta falar sobre isso — falar mesmo, não apenas dizer "estou com as minhas coisas".

    O que podes dizer ao teu parceiro

    Eis três formulações que já ajudaram algumas clientes (sim, às vezes faço mediação improvisada de casais ao balcão):

    1. "Nos dez dias antes da menstruação, o meu corpo está em modo de sobrevivência. Amo-te tanto quanto antes, só preciso de ternura e de menos pressão."
    2. "Se te rejeito nessa semana, isso não é um sinal sobre nós os dois — é um sinal hormonal. Diz-me se mesmo assim precisares de mim, e encontramos outra solução."
    3. "Gostava que estabelecêssemos um ritual de ligação não sexual para esses dias. Massagens, mimos, um filme juntos — esse tipo de coisas faz-me tão bem."

    Estas formulações não são guiões mágicos. São pontos de partida para uma conversa que muitos casais nunca tiveram.

    O orgasmo contra as cólicas: a ciência diz que sim

    Um pequeno parêntese que vale a pena abrir — porque muitas vezes muda a perspetiva. O orgasmo, seja atingido a sós ou a dois, provoca a libertação de oxitocina e endorfinas. Estas hormonas têm um efeito antiespasmódico real no útero. Estudos demonstraram que a masturbação durante a menstruação pode reduzir significativamente as dores das cólicas em algumas pessoas.

    Mia, a pata mascote da Adopt1Toy — piscadela de olho

    Por outras palavras: se estás no início da SPM, com dores pélvicas e sem qualquer vontade de ter relações sexuais — uma estimulação clitoriana suave, a sós, pode literalmente ajudar-te fisicamente. Não é algo insignificante. É uma alternativa aos anti-inflamatórios que muitas pessoas desconhecem.

    Mulher deitada com uma camisa de dormir cor de vinho, segurando um estimulador clitoriano compacto, num momento de alívio íntimo

    Adaptar as suas práticas e os seus produtos durante a SPM

    Se concordarmos que o SPM não deve ser sinónimo de abstinência forçada, é necessário adaptar as práticas ao conforto do momento. Eis o que recomendo — e que muitas vezes acrescento aos cestos das minhas clientes que passam por esta fase com dificuldade.

    Lubrificação: não negligenciar

    A secura vaginal ligeira no final do ciclo é frequente. Torna a penetração menos confortável, mesmo quando existe desejo. Um lubrificante à base de água de boa qualidade, sem glicerina nem parabenos, faz toda a diferença. Prefiro fórmulas em gel ligeiramente espessas, que permanecem no lugar sem secar demasiado depressa. Mantém-nas à mão — não na gaveta do fundo, mas na mesa de cabeceira.

    Estimulação clitoriana suave

    Durante a fase de SPM, muitas pessoas consideram a penetração desconfortável, mas continuam recetivas a uma estimulação externa suave. Os estimuladores de ar pulsado são particularmente adequados para esta fase: não exercem qualquer pressão interna, a estimulação é precisa e a intensidade é ajustável. Numa intensidade baixa, podem até ser relaxantes. Recomendo-os frequentemente a clientes que já não sabem como sentir prazer durante este período difícil.

    Mesa de cabeceira com caixa de vibrador em forma de coelho, de silicone lilás, parcialmente aberta, tubo de lubrificante e copo de água

    Posições a privilegiar

    Se optares por relações com penetração apesar do SPM, algumas posições minimizam a pressão abdominal e a profundidade da penetração:

    • Conchinha: penetração pouco profunda, contacto íntimo, pressão zero na barriga
    • Missionário com uma almofada debaixo das nádegas: o ângulo modificado reduz a pressão no colo do útero
    • Cavalgada com controlo total: a pessoa menstruada controla o ritmo e a profundidade

    Posições a evitar se tiveres cólicas: tudo o que implique pressão abdominal direta (como a posição de quatro com penetração profunda ou posições encolhidas).

    A massagem como prática íntima por direito próprio

    Já perdi a conta ao número de casais que me disseram ter redescoberto a sua cumplicidade física durante períodos em que o sexo «clássico» estava em pausa. A massagem erótica — não necessariamente com uma finalidade orgásmica — é uma prática íntima por direito próprio. Um óleo de massagem aquecido na zona lombar, na parte inferior das costas e na barriga — alivia as cólicas E cria ligação. É cuidado tanto quanto desejo.

    Stella, a pata mascote da Adopt1Toy — piscar de olho

    SPM grave e TDPM: quando ultrapassa a gestão do estilo de vida

    Existe o SPM — desconfortável, mas controlável com algumas adaptações. E existe o TDPM — perturbação disfórica pré-menstrual — uma forma grave que afeta cerca de 3 a 8% das pessoas menstruadas. O TDPM inclui sintomas emocionais intensos: depressão acentuada, ataques de pânico, pensamentos sombrios e irritabilidade incapacitante. Não é apenas um SPM «mais forte» — é uma perturbação reconhecida que requer acompanhamento médico.

    Se estás a ler este artigo e te reconheces em algo mais intenso do que cansaço ou irritabilidade — se todos os meses passas por dias em que deixas mesmo de te reconhecer — fala com um ginecologista ou um médico. Existem tratamentos eficazes (contraceção hormonal adequada, suplementação, terapia e, por vezes, ISRS na fase lútea). Não é uma fatalidade.

    No caso do SPM «clássico», porém, várias abordagens complementares apresentaram resultados interessantes segundo os estudos: bisglicinato de magnésio (300–400 mg/dia na fase lútea), vitamina B6, redução do açúcar e do álcool durante este período e exercício físico moderado. Não há milagres — mas há medidas que podem realmente ajudar.

    Casal aconchegado num sofá à noite, ela encostada ao ombro dele sob uma manta, num momento de intimidade e ternura

    Observar o ciclo: a ferramenta mais subestimada

    Termino com algo muito simples que gostaria que me tivessem ensinado aos 20 anos: manter um diário do ciclo. Não tem de ser uma aplicação ultrassofisticada — até um caderno de papel serve. Todos os dias, anota a tua energia (de 1 a 5), o teu estado de espírito geral, a tua libido aproximada e os teus sintomas físicos.

    Ao fim de dois ou três meses, começas a ver padrões a formar-se. Começas a antecipar, em vez de simplesmente sofrer. Sabes que a semana X será provavelmente difícil e organizas-te de forma diferente — planeando menos, falando antecipadamente com o teu parceiro, preparando o teu kit de conforto (lubrificante, almofada térmica, vibrador suave, chocolate preto, se formos honestos). Não é resignação. É estratégia corporal. E isso muda verdadeiramente a relação que temos com o nosso próprio ciclo.

    O SPM pode não desaparecer — mas pode deixar de ser algo que te acontece sem aviso, todos os meses, como uma surpresa desagradável. O teu corpo envia-te sinais. Aprender a lê-los é a coisa mais íntima e útil que podes fazer por ti.

    FAQ — Vos questions les plus fréquentes

    Est-ce que le SPM fait vraiment baisser la libido ?

    Oui, et c'est physiologique : la chute des œstrogènes et de la progestérone en phase lutéale tardive agit directement sur la dopamine et la sérotonine. Le désir recule, parfois complètement. Ce n'est pas dans ta tête — c'est dans tes hormones. Repérer ce moment dans ton cycle, c'est déjà la première façon de ne plus le subir.

    Combien de temps dure le SPM et quand commence-t-il exactement ?

    Le SPM survient pendant la phase lutéale, soit les 7 à 14 jours qui précèdent les règles. Pour un cycle de 28 jours, ça correspond grosso modo à partir du 14e-15e jour. La durée varie d'une personne à l'autre — certaines ne vivent que 3 à 4 jours difficiles, d'autres jusqu'à deux semaines. Tenir un journal de cycle pendant 2 à 3 mois permet de repérer ton propre rythme avec beaucoup plus de précision qu'une règle générale.

    Quelle est la différence entre SPM et TDPM ?

    Le SPM est inconfortable mais gérable : fatigue, irritabilité, baisse de libido, ballonnements — ça perturbe, mais ça reste dans une zone vivable. Le TDPM (trouble dysphorique prémenstruel) est d'une autre nature : dépression marquée, crises d'angoisse intenses, pensées sombres, sentiment de ne plus se reconnaître. Il touche 3 à 8 % des personnes menstruées et nécessite un suivi médical — ce n'est pas un SPM "en plus fort", c'est un trouble distinct qui se traite.

    Comment gérer concrètement sa sexualité pendant le SPM ?

    L'adaptation est la clé. Si la pénétration est inconfortable, un stimulateur clitoridien doux ou une masturbation légère reste une option accessible — et l'orgasme peut même soulager les crampes grâce à la libération d'endorphines. Un lubrifiant de qualité compense la sécheresse vaginale fréquente en fin de cycle. Et côté couple, des rituels de connexion non-sexuels — massage, câlins, intimité sans finalité — maintiennent la complicité sans pression.

    Le SPM peut-il affecter la relation de couple ?

    Oui, et c'est l'un des sujets les plus sous-discutés que j'entends en boutique. La baisse de libido prémenstruelle est souvent mal interprétée par le partenaire comme un signe de désintérêt ou de rejet. Résultat : tensions, culpabilité, malentendus récurrents. La solution passe par une vraie conversation — expliquer que ce retrait est hormonal, proposer des alternatives de connexion, et déstigmatiser la période ensemble. C'est une conversation à avoir avant d'être au cœur du SPM, pas pendant.

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    Alicia - Adopt1Toy

    Fundadora da Adopt1Toy.
    Depois de 10 anos em lojas físicas de produtos eróticos e vários anos
    em grandes casas de lingerie, criei a Adopt1Toy para
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    sem tabus e sem jargão. Tudo o que escrevo aqui vem de conversas
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