Noite libertina: tudo o que precisa de saber antes da sua primeira vez

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    |Alicia Deroussen

    A primeira vez que um casal me pediu aconselhamento para a sua primeira festa libertina, eu ainda estava atrás do balcão a embrulhar encomendas. Falavam em voz baixa, um pouco constrangidos, como se fazer a pergunta em voz alta fosse desencadear um alarme. O que me marcou nessa noite foi que o verdadeiro problema deles não era o desejo — esse, tinham-no claramente —, mas a ignorância total em relação aos códigos. O mundo libertino tem as suas próprias regras, os seus próprios rituais, a sua própria cultura. E ninguém vos entrega o manual de instruções. É precisamente por isso que escrevo este artigo hoje. Não para vos convencer a ir, nem para vos assustar. Apenas para vos dar as chaves de um universo que merece muito mais do que as fantasias vagas que lhe colam.

    O que é realmente uma festa libertina?

    Comecemos por desmontar alguns preconceitos, porque em dez anos de loja ouvi cada coisa. Uma festa libertina não é uma orgia organizada num apartamento imundo, com desconhecidos alcoolizados. Também não é uma orgia romana em que toda a gente salta para cima de toda a gente mal entra.

    Uma festa libertina, na sua forma mais comum, é um evento organizado — num clube privado, numa moradia, por vezes num hotel — onde adultos consentientes se reúnem para explorar a sua sexualidade de forma livre, enquadrada e respeitosa. O leque é amplo: algumas festas são muito suaves, quase sensuais, com pouca atividade sexual visível. Outras são mais explícitas. O que todas têm em comum é a regra de ouro que ouço repetir sempre: o consentimento não é negociável.

    Os diferentes formatos de festas libertinas

    O que muitos principiantes ignoram é que o mundo libertino não é monolítico. Existem vários tipos de eventos, com ambientes muito diferentes:

    • Os clubes libertinos privados — São os estabelecimentos mais estruturados, frequentemente mediante subscrição ou seleção. Têm um bar, uma pista de dança, espaços de play abertos e cabines privadas. A clientela é habitual e o ambiente é frequentemente acolhedor entre os frequentadores.
    • As festas temáticas — Código de vestuário obrigatório (lingerie, cabedal, branco integral...), cenografia cuidada. O ambiente festivo ocupa tanto espaço como o próprio libertinismo.
    • As festas privadas entre conhecidos — Organizadas em casas particulares, num círculo fechado. A vantagem: toda a gente se conhece, pelo menos de vista. A desvantagem: se algo correr mal, depois é complicado.
    • Os fins de semana e as viagens libertinas — Eventos com a duração de dois ou três dias, por vezes no estrangeiro. Praga, Barcelona, Ibiza... O libertinismo em versão de férias, com workshops e atividades durante o dia.
    • As noites «soft» — Pensadas para curiosos e principiantes. A passagem ao ato não é incentivada; vem-se sobretudo pela atmosfera, para observar e para se familiarizar com este universo.

    As regras não escritas que ninguém vos explica

    É aqui que começa a ficar interessante. Cada meio tem o seu próprio código social, e o libertinismo não é exceção. Estas regras nunca estão afixadas à entrada. Transmitem-se por osmose, entre iniciados. Falo delas aqui porque ignorá-las é a forma mais segura de terem uma noite desagradável — para vocês e para os outros.

    A regra do consentimento contínuo

    Sim, mais uma vez. Mas o que os principiantes nem sempre compreendem é que o consentimento num ambiente libertino é renovado a cada etapa. Um «sim» no início de uma interação não é um salvo-conduto para o que vem a seguir. Se alguém ficar tenso, se afastar ou disser simplesmente «não, obrigado», parem e sigam o vosso caminho com um sorriso. Os clubes sérios têm seguranças ou anfitriões formados para intervir quando esta regra não é respeitada. E intervêm.

    Não separem um casal que está ali junto

    Se um casal chegar junto, é imprescindível abordá-lo em conjunto ou, no mínimo, perguntar a um dos dois se o outro está disponível antes de avançar. Tentar seduzir um deles às escondidas do outro é uma falta grave neste meio. Os habitués vão detetar-vos imediatamente e a vossa noite terminará antes mesmo de começar.

    É permitido olhar sem participar

    Nos espaços abertos dos clubes, geralmente é aceite observar. Mas esta liberdade tem os seus próprios limites: não se fazem comentários em voz alta, não se filma (é absolutamente proibido em todo o lado), não se toca sem convite e não se interfere numa situação em curso. Observar é passivo e respeitador. Intervir sem terem sido convidados, não.

    A higiene é o mínimo indispensável

    Parece óbvio, mas nem sempre é. Os clubes libertinos de qualidade mencionam-no frequentemente no seu regulamento interno. Vêm de um dia de trabalho? Passem pelo duche e levem uma muda de roupa. As toalhas são frequentemente fornecidas no local, tal como os preservativos. Mas continua a ser da vossa responsabilidade chegarem com um aspeto apresentável.

    Como preparar-se antes de uma noite libertina?

    A preparação é 80% do sucesso. Digo isto a todos os casais que me fazem essa pergunta, seja na loja ou por mensagem privada: uma noite libertina bem-sucedida decide-se antes mesmo de atravessar a porta do clube.

    A conversa honesta no casal

    Se forem como casal, esta etapa é inegociável. Antes da noite, têm de falar claramente sobre os vossos limites respetivos. Não de forma vaga e romântica — de forma precisa e prática. O que é aceitável para cada um? O que está completamente fora de questão? E o que é «talvez, logo se vê»? E, sobretudo: qual é o vosso sinal para dizerem ao outro que vão embora sem explicações?

    Muitos casais pensam que conseguirão decidir tudo no momento. Raramente é assim. As emoções nestas noites podem ser intensas e, por vezes, desconcertantes. Definir este enquadramento antecipadamente é o que vos permitirá viver a experiência com tranquilidade, em vez de passarem a noite a observar atentamente o rosto do vosso parceiro.

    O dress code: não se enganar

    Cada noite tem as suas próprias exigências em termos de vestuário, e estas são levadas muito a sério. Em muitos clubes, os homens de jeans + t-shirt básica são impedidos de entrar. Eis as principais tendências:

    Tipo de noite Mulheres Homens
    Clube libertino clássico Lingerie delicada, vestido curto, macacão Camisa + calças elegantes, no mínimo
    Noite de lingerie Conjunto de lingerie assumido Boxers / cuecas elegantes ou fato aberto
    Noite de couro / BDSM Corpete, arnês, látex Couro, arnês, roupa escura estruturada
    Noite branca Roupa branca, transparências bem-vindas Calças + camisa brancas
    Noite «chic sexy» Vestido de noite curto, decote Fato escuro, gravata opcional

    O meu conselho pessoal: contactem sempre o estabelecimento antes da primeira visita para confirmar o dress code da noite. As regras variam consoante os eventos, e é preferível fazer uma pergunta «inocente» a passar por uma humilhação à entrada.

    O que levar (e o que deixar em casa)

    Levamos: um documento de identificação (frequentemente solicitado), um meio de pagamento, uma muda de roupa, se quiserem, os vossos próprios preservativos, se tiverem uma marca preferida, e uma atitude descontraída.

    Deixamos: o telemóvel em modo de voo ou num cacifo (as fotografias são proibidas e faz bem desligar-se), expectativas demasiado específicas («esta noite vai acontecer exatamente isto») e a pressão de «ter» de fazer alguma coisa.

    No local: como comportar-se num clube libertino

    Chegaram. A porta abre-se. E, muitas vezes, vem a surpresa: não é nada do que imaginavam. A maioria das pessoas que me conta a sua primeira vez diz-me a mesma coisa: foi muito mais... normal. Pessoas a conversar no bar, a rir, a dançar. Casais a flirtar. Um ambiente acolhedor e intimista.

    O libertinismo não é como nos filmes. É mais como uma festa de adultos descontraídos que se conhecem mais ou menos.

    As primeiras horas: observar e ambientar-se

    Não tenham pressa. Nas primeiras noites, a maioria dos frequentadores experientes aconselha passar boa parte da noite no bar, a observar, conversar e sentir o ambiente. Não têm qualquer obrigação de ir para as áreas de play. Ninguém vos vai pressionar. E, se alguém insistir, é um sinal de alerta — vão-se embora.

    É também o momento de compreender os espaços: onde fica o bar, onde ficam as áreas comuns, onde ficam as cabinas privadas, onde ficam as casas de banho e os duches. Conhecer a geografia do local ajudá-los-á a sentirem-se mais à vontade.

    Abordar e ser abordado: os códigos

    Num clube liberal, a abordagem é geralmente suave e indireta. Começa-se por conversar, sorrir e criar uma ligação. As pessoas que avançam de cabeça sem primeiro criarem uma ligação são muitas vezes as mesmas que evitamos durante o resto da noite.

    Se alguém se aproximar de vocês e não estiverem interessados, basta um simples «obrigado, mas esta noite não é para nós». Não precisam de explicações nem de desculpas. A educação é essencial, e as recusas educadas são geralmente bem aceites nos clubes sérios.

    Gerir emoções inesperadas

    Digo-o francamente, porque ninguém o diz vezes suficientes: podem surgir emoções inesperadas nestas noites. Ciúme, excitação misturada com ansiedade, uma espécie de vertigem. Não é anormal. Não é sinal de que «isto não é para vocês». É sinal de que são humanos e estão a viver algo novo.

    Combinem um sinal com o vosso parceiro. Se um de vocês precisar de respirar um pouco, saem para fumar, vão ao bar, tiram cinco minutos. A noite liberal ideal é aquela em que cada um se sente livre para dizer «preciso de uma pausa» sem dramas.

    Depois da noite: a conversa de balanço, a parte que todos esquecem

    O período depois da noite talvez seja a parte mais importante, e é aquela que mais frequentemente negligenciamos. Ouvi isso dezenas de vezes na loja: casais que regressaram cada um para o seu canto, sem conversar, e deixaram que os assuntos não ditos se instalassem como fantasmas.

    Falar logo no dia seguinte, não no carro

    No carro, no regresso, todos estão muitas vezes envolvidos nas suas emoções — cansados, ainda excitados e, por vezes, confusos. Não é o momento certo para uma reflexão aprofundada. Esperem pela manhã seguinte, à volta de um café, num momento tranquilo.

    O que é preciso abordar: como se sentiram, o que correu bem, o que correu menos bem, o que gostariam de manter ou alterar numa próxima vez — se houver uma próxima vez. E essa é uma verdadeira questão: têm vontade de repetir? Os dois? Um, mas não o outro? Essas respostas merecem ser ditas em voz alta.

    A saúde, a contraceção, os testes às IST

    Tema sério, mas indispensável. Mesmo usando preservativos de forma rigorosa, os profissionais de saúde recomendam testes regulares às IST para as pessoas que praticam o meio liberal. Não é motivo de vergonha, é uma questão de responsabilidade. A maioria dos frequentadores habituais dos clubes inclui os testes regulares na sua vida, sem fazer disso um drama.

    E se a noite não tiver corrido como previsto?

    Por vezes, saímos desiludidos. Por vezes, saímos a dizer «nunca mais». Por vezes, saímos com sentimentos contraditórios que demoramos a esclarecer. Tudo isso é válido. A libertinagem não é obrigatória, não é superior a outras formas de viver a sexualidade e não é, de todo, adequada para todas as pessoas. Se experimentou e não é para si, pelo menos já tem a resposta a uma pergunta que muitas pessoas se colocam durante toda a vida sem nunca lhe responderem.

    Os erros clássicos dos principiantes (e como evitá-los)

    Depois de anos a ouvir relatos de experiências, elaborei a minha pequena lista dos erros mais frequentes. Não serve para vos assustar, mas para vos poupar alguns embaraços evitáveis.

    1. Ir sem terem realmente falado sobre isso em conjunto. O desejo de um não é necessariamente partilhado pelo outro. Ir a um clube porque se «quer agradar» ao parceiro é uma receita para uma noite difícil.
    2. Beber demasiado para ganhar coragem. Um copo para descontrair é humano. Acabar embriagado num clube de libertinagem é problemático — para a sua segurança e para o seu discernimento.
    3. Ter expectativas demasiado específicas. «Esta noite vou viver esta ou aquela experiência.» A realidade de uma noite de libertinagem é imprevisível. Quem vive as melhores noites é muitas vezes quem chega sem planos definidos.
    4. Ignorar os sinais de desconforto do parceiro. Se um de vocês estiver claramente desconfortável, vão-se embora. Ponto final. Nenhuma noite vale uma fratura no casal.
    5. Não conhecer as regras do estabelecimento. Cada clube tem as suas próprias regras — sobre fotografias, zonas autorizadas, código de vestuário e comportamentos aceitáveis. Lê-las antes de ir é o mínimo.
    6. Comparar a realidade com as fantasias. Uma verdadeira noite de libertinagem não se parece com os filmes. É muitas vezes mais banal, mais humana, por vezes mais bonita — mas diferente.

    FAQ — Vos questions les plus fréquentes

    Peut-on aller à une soirée libertine en solo ?

    Oui, tout à fait. La plupart des clubs libertins acceptent les femmes seules sans restriction, et certains acceptent les hommes seuls selon des quotas ou des tarifs différents. Si vous y allez en solo, renseignez-vous d'abord sur la politique de l'établissement. En solo, la discrétion et le respect sont encore plus importants : vous n'avez pas de partenaire pour vous "couvrir" socialement, il faut donc être encore plus attentif aux codes.

    C'est quoi le tarif d'entrée d'un club libertin ?

    Les tarifs varient beaucoup selon le type d'événement et l'établissement. Comptez généralement entre 30 € et 80 € pour un couple, parfois plus pour des soirées thématiques ou des événements premium. Les femmes seules entrent souvent gratuitement ou à tarif réduit. Les hommes seuls paient généralement le tarif le plus élevé. L'alcool est souvent inclus ou en formule open bar selon les clubs.

    Comment trouver une soirée libertine près de chez soi ?

    Il existe plusieurs annuaires spécialisés en ligne qui répertorient les clubs et soirées libertines par région. Les réseaux sociaux et forums spécialisés hébergent aussi des communautés locales très actives. Je conseille toujours de lire les avis, de poser des questions à la communauté avant de choisir un premier établissement, et de vérifier que le club est sérieux et ancré depuis plusieurs années.

    Faut-il être en couple pour aller dans un club libertin ?

    Non. Le libertinage accueille des couples, des personnes seules, et parfois des petits groupes d'amis. Ce qui compte, c'est que chaque personne présente soit là de son plein gré et dans un état d'esprit clair. Certaines soirées sont explicitement réservées aux couples, d'autres sont ouvertes à tous les profils. Renseignez-vous avant de vous déplacer.

    Peut-on partir à tout moment si on ne se sent pas à l'aise ?

    Absolument, et ce droit est fondamental. Aucun club sérieux ne vous retient. Si quelque chose vous met mal à l'aise — une personne, une ambiance, un incident — vous pouvez partir à tout moment. Si une personne adopte un comportement déplacé envers vous, signalez-le à la sécurité de l'établissement. Ils sont formés pour gérer ce type de situation avec discrétion et fermeté.

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    Alicia - Adopt1Toy

    Fundadora da Adopt1Toy.
    Depois de 10 anos em lojas físicas de produtos eróticos e vários anos
    em grandes casas de lingerie, criei a Adopt1Toy para
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