A primeira vez que um casal me pediu aconselhamento para a sua primeira festa libertina, eu ainda estava atrás do balcão a embrulhar encomendas. Falavam em voz baixa, um pouco constrangidos, como se fazer a pergunta em voz alta fosse desencadear um alarme. O que me marcou nessa noite foi que o verdadeiro problema deles não era o desejo — esse, tinham-no claramente —, mas a ignorância total em relação aos códigos. O mundo libertino tem as suas próprias regras, os seus próprios rituais, a sua própria cultura. E ninguém vos entrega o manual de instruções. É precisamente por isso que escrevo este artigo hoje. Não para vos convencer a ir, nem para vos assustar. Apenas para vos dar as chaves de um universo que merece muito mais do que as fantasias vagas que lhe colam.

O que é realmente uma festa libertina?
Comecemos por desmontar alguns preconceitos, porque em dez anos de loja ouvi cada coisa. Uma festa libertina não é uma orgia organizada num apartamento imundo, com desconhecidos alcoolizados. Também não é uma orgia romana em que toda a gente salta para cima de toda a gente mal entra.
Uma festa libertina, na sua forma mais comum, é um evento organizado — num clube privado, numa moradia, por vezes num hotel — onde adultos consentientes se reúnem para explorar a sua sexualidade de forma livre, enquadrada e respeitosa. O leque é amplo: algumas festas são muito suaves, quase sensuais, com pouca atividade sexual visível. Outras são mais explícitas. O que todas têm em comum é a regra de ouro que ouço repetir sempre: o consentimento não é negociável.
Os diferentes formatos de festas libertinas
O que muitos principiantes ignoram é que o mundo libertino não é monolítico. Existem vários tipos de eventos, com ambientes muito diferentes:
- Os clubes libertinos privados — São os estabelecimentos mais estruturados, frequentemente mediante subscrição ou seleção. Têm um bar, uma pista de dança, espaços de play abertos e cabines privadas. A clientela é habitual e o ambiente é frequentemente acolhedor entre os frequentadores.
- As festas temáticas — Código de vestuário obrigatório (lingerie, cabedal, branco integral...), cenografia cuidada. O ambiente festivo ocupa tanto espaço como o próprio libertinismo.
- As festas privadas entre conhecidos — Organizadas em casas particulares, num círculo fechado. A vantagem: toda a gente se conhece, pelo menos de vista. A desvantagem: se algo correr mal, depois é complicado.
- Os fins de semana e as viagens libertinas — Eventos com a duração de dois ou três dias, por vezes no estrangeiro. Praga, Barcelona, Ibiza... O libertinismo em versão de férias, com workshops e atividades durante o dia.
- As noites «soft» — Pensadas para curiosos e principiantes. A passagem ao ato não é incentivada; vem-se sobretudo pela atmosfera, para observar e para se familiarizar com este universo.

As regras não escritas que ninguém vos explica
É aqui que começa a ficar interessante. Cada meio tem o seu próprio código social, e o libertinismo não é exceção. Estas regras nunca estão afixadas à entrada. Transmitem-se por osmose, entre iniciados. Falo delas aqui porque ignorá-las é a forma mais segura de terem uma noite desagradável — para vocês e para os outros.
A regra do consentimento contínuo
Sim, mais uma vez. Mas o que os principiantes nem sempre compreendem é que o consentimento num ambiente libertino é renovado a cada etapa. Um «sim» no início de uma interação não é um salvo-conduto para o que vem a seguir. Se alguém ficar tenso, se afastar ou disser simplesmente «não, obrigado», parem e sigam o vosso caminho com um sorriso. Os clubes sérios têm seguranças ou anfitriões formados para intervir quando esta regra não é respeitada. E intervêm.
Não separem um casal que está ali junto
Se um casal chegar junto, é imprescindível abordá-lo em conjunto ou, no mínimo, perguntar a um dos dois se o outro está disponível antes de avançar. Tentar seduzir um deles às escondidas do outro é uma falta grave neste meio. Os habitués vão detetar-vos imediatamente e a vossa noite terminará antes mesmo de começar.
É permitido olhar sem participar
Nos espaços abertos dos clubes, geralmente é aceite observar. Mas esta liberdade tem os seus próprios limites: não se fazem comentários em voz alta, não se filma (é absolutamente proibido em todo o lado), não se toca sem convite e não se interfere numa situação em curso. Observar é passivo e respeitador. Intervir sem terem sido convidados, não.
A higiene é o mínimo indispensável
Parece óbvio, mas nem sempre é. Os clubes libertinos de qualidade mencionam-no frequentemente no seu regulamento interno. Vêm de um dia de trabalho? Passem pelo duche e levem uma muda de roupa. As toalhas são frequentemente fornecidas no local, tal como os preservativos. Mas continua a ser da vossa responsabilidade chegarem com um aspeto apresentável.

Como preparar-se antes de uma noite libertina?
A preparação é 80% do sucesso. Digo isto a todos os casais que me fazem essa pergunta, seja na loja ou por mensagem privada: uma noite libertina bem-sucedida decide-se antes mesmo de atravessar a porta do clube.
A conversa honesta no casal
Se forem como casal, esta etapa é inegociável. Antes da noite, têm de falar claramente sobre os vossos limites respetivos. Não de forma vaga e romântica — de forma precisa e prática. O que é aceitável para cada um? O que está completamente fora de questão? E o que é «talvez, logo se vê»? E, sobretudo: qual é o vosso sinal para dizerem ao outro que vão embora sem explicações?
Muitos casais pensam que conseguirão decidir tudo no momento. Raramente é assim. As emoções nestas noites podem ser intensas e, por vezes, desconcertantes. Definir este enquadramento antecipadamente é o que vos permitirá viver a experiência com tranquilidade, em vez de passarem a noite a observar atentamente o rosto do vosso parceiro.
O dress code: não se enganar
Cada noite tem as suas próprias exigências em termos de vestuário, e estas são levadas muito a sério. Em muitos clubes, os homens de jeans + t-shirt básica são impedidos de entrar. Eis as principais tendências:
| Tipo de noite | Mulheres | Homens |
|---|---|---|
| Clube libertino clássico | Lingerie delicada, vestido curto, macacão | Camisa + calças elegantes, no mínimo |
| Noite de lingerie | Conjunto de lingerie assumido | Boxers / cuecas elegantes ou fato aberto |
| Noite de couro / BDSM | Corpete, arnês, látex | Couro, arnês, roupa escura estruturada |
| Noite branca | Roupa branca, transparências bem-vindas | Calças + camisa brancas |
| Noite «chic sexy» | Vestido de noite curto, decote | Fato escuro, gravata opcional |
O meu conselho pessoal: contactem sempre o estabelecimento antes da primeira visita para confirmar o dress code da noite. As regras variam consoante os eventos, e é preferível fazer uma pergunta «inocente» a passar por uma humilhação à entrada.
O que levar (e o que deixar em casa)
Levamos: um documento de identificação (frequentemente solicitado), um meio de pagamento, uma muda de roupa, se quiserem, os vossos próprios preservativos, se tiverem uma marca preferida, e uma atitude descontraída.
Deixamos: o telemóvel em modo de voo ou num cacifo (as fotografias são proibidas e faz bem desligar-se), expectativas demasiado específicas («esta noite vai acontecer exatamente isto») e a pressão de «ter» de fazer alguma coisa.

No local: como comportar-se num clube libertino
Chegaram. A porta abre-se. E, muitas vezes, vem a surpresa: não é nada do que imaginavam. A maioria das pessoas que me conta a sua primeira vez diz-me a mesma coisa: foi muito mais... normal. Pessoas a conversar no bar, a rir, a dançar. Casais a flirtar. Um ambiente acolhedor e intimista.
O libertinismo não é como nos filmes. É mais como uma festa de adultos descontraídos que se conhecem mais ou menos.
As primeiras horas: observar e ambientar-se
Não tenham pressa. Nas primeiras noites, a maioria dos frequentadores experientes aconselha passar boa parte da noite no bar, a observar, conversar e sentir o ambiente. Não têm qualquer obrigação de ir para as áreas de play. Ninguém vos vai pressionar. E, se alguém insistir, é um sinal de alerta — vão-se embora.
É também o momento de compreender os espaços: onde fica o bar, onde ficam as áreas comuns, onde ficam as cabinas privadas, onde ficam as casas de banho e os duches. Conhecer a geografia do local ajudá-los-á a sentirem-se mais à vontade.
Abordar e ser abordado: os códigos
Num clube liberal, a abordagem é geralmente suave e indireta. Começa-se por conversar, sorrir e criar uma ligação. As pessoas que avançam de cabeça sem primeiro criarem uma ligação são muitas vezes as mesmas que evitamos durante o resto da noite.
Se alguém se aproximar de vocês e não estiverem interessados, basta um simples «obrigado, mas esta noite não é para nós». Não precisam de explicações nem de desculpas. A educação é essencial, e as recusas educadas são geralmente bem aceites nos clubes sérios.
Gerir emoções inesperadas
Digo-o francamente, porque ninguém o diz vezes suficientes: podem surgir emoções inesperadas nestas noites. Ciúme, excitação misturada com ansiedade, uma espécie de vertigem. Não é anormal. Não é sinal de que «isto não é para vocês». É sinal de que são humanos e estão a viver algo novo.
Combinem um sinal com o vosso parceiro. Se um de vocês precisar de respirar um pouco, saem para fumar, vão ao bar, tiram cinco minutos. A noite liberal ideal é aquela em que cada um se sente livre para dizer «preciso de uma pausa» sem dramas.

Depois da noite: a conversa de balanço, a parte que todos esquecem
O período depois da noite talvez seja a parte mais importante, e é aquela que mais frequentemente negligenciamos. Ouvi isso dezenas de vezes na loja: casais que regressaram cada um para o seu canto, sem conversar, e deixaram que os assuntos não ditos se instalassem como fantasmas.
Falar logo no dia seguinte, não no carro
No carro, no regresso, todos estão muitas vezes envolvidos nas suas emoções — cansados, ainda excitados e, por vezes, confusos. Não é o momento certo para uma reflexão aprofundada. Esperem pela manhã seguinte, à volta de um café, num momento tranquilo.
O que é preciso abordar: como se sentiram, o que correu bem, o que correu menos bem, o que gostariam de manter ou alterar numa próxima vez — se houver uma próxima vez. E essa é uma verdadeira questão: têm vontade de repetir? Os dois? Um, mas não o outro? Essas respostas merecem ser ditas em voz alta.
A saúde, a contraceção, os testes às IST
Tema sério, mas indispensável. Mesmo usando preservativos de forma rigorosa, os profissionais de saúde recomendam testes regulares às IST para as pessoas que praticam o meio liberal. Não é motivo de vergonha, é uma questão de responsabilidade. A maioria dos frequentadores habituais dos clubes inclui os testes regulares na sua vida, sem fazer disso um drama.
E se a noite não tiver corrido como previsto?
Por vezes, saímos desiludidos. Por vezes, saímos a dizer «nunca mais». Por vezes, saímos com sentimentos contraditórios que demoramos a esclarecer. Tudo isso é válido. A libertinagem não é obrigatória, não é superior a outras formas de viver a sexualidade e não é, de todo, adequada para todas as pessoas. Se experimentou e não é para si, pelo menos já tem a resposta a uma pergunta que muitas pessoas se colocam durante toda a vida sem nunca lhe responderem.

Os erros clássicos dos principiantes (e como evitá-los)
Depois de anos a ouvir relatos de experiências, elaborei a minha pequena lista dos erros mais frequentes. Não serve para vos assustar, mas para vos poupar alguns embaraços evitáveis.
- Ir sem terem realmente falado sobre isso em conjunto. O desejo de um não é necessariamente partilhado pelo outro. Ir a um clube porque se «quer agradar» ao parceiro é uma receita para uma noite difícil.
- Beber demasiado para ganhar coragem. Um copo para descontrair é humano. Acabar embriagado num clube de libertinagem é problemático — para a sua segurança e para o seu discernimento.
- Ter expectativas demasiado específicas. «Esta noite vou viver esta ou aquela experiência.» A realidade de uma noite de libertinagem é imprevisível. Quem vive as melhores noites é muitas vezes quem chega sem planos definidos.
- Ignorar os sinais de desconforto do parceiro. Se um de vocês estiver claramente desconfortável, vão-se embora. Ponto final. Nenhuma noite vale uma fratura no casal.
- Não conhecer as regras do estabelecimento. Cada clube tem as suas próprias regras — sobre fotografias, zonas autorizadas, código de vestuário e comportamentos aceitáveis. Lê-las antes de ir é o mínimo.
- Comparar a realidade com as fantasias. Uma verdadeira noite de libertinagem não se parece com os filmes. É muitas vezes mais banal, mais humana, por vezes mais bonita — mas diferente.
Por Alicia Deroussen — a experiência da Adopt1Toy ao serviço do seu prazer.
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