A gravidez e a sexualidade levantam muito mais questões do que se diz. É possível continuar a fazer amor? O desejo muda? As posições continuam a ser confortáveis? Como continuar a sentir-se mulher quando o corpo se transforma, o cansaço se instala e tudo parece girar em torno do bebé que está para nascer? Uma mulher grávida não deixa de ser mulher, e a sua intimidade não deveria desaparecer por detrás de exigências. Neste artigo, ponho as coisas no seu devido lugar: a gravidez pode alterar a libido, a relação com o corpo, a penetração, o conforto e a dinâmica do casal, mas não impede uma vida íntima suave, adaptada e viva. Vou ajudar-te a compreender melhor as mudanças físicas e emocionais, a explorar alternativas à penetração, a escolher posições mais confortáveis e a manter uma ligação real com o teu parceiro, sem pressão desnecessária.
A gravidez é a magia que aconteceu entre dois seres para criar vida, um pedacinho de cada um para formar um bebé, fruto do amor que os une para sempre.
A gravidez e a maternidade são as maiores mudanças na vida de uma mulher. Está na altura de quebrar os tabus sobre esta experiência de vida tão intensa e marcante. Para muitas de nós, é um momento maravilhoso, mas que também traz consigo a sua quota-parte de dificuldades.
A gravidez é também um período de metamorfose física e emocional profunda, bem como um período de criação: a criação de uma vida. É uma experiência profundamente transformadora para uma mulher, e cada uma de nós vive a sua gravidez de forma diferente.
Algumas mulheres grávidas sentem-se muito bem mentalmente, no seu corpo e na sua pele, por vezes até mais do que alguma vez se sentiram. Para outras, estas transformações físicas e emocionais são difíceis de viver e aceitar devido às limitações e às profundas mudanças que uma gravidez acarreta.
É também necessário pensar nas ansiedades que surgem relativamente à saúde e ao bom desenvolvimento do bebé, sem esquecer os preconceitos e as exigências que a sociedade impõe para fazer de nós mães perfeitas, como se uma futura mãe tivesse subitamente de ficar privada de desejo, feminilidade ou sensualidade.
Como o nome indica, uma mulher grávida continua a ser uma MULHER; não é apenas uma futura mãe. Para além das alegrias e dos desafios que esta viagem rumo à maternidade pode trazer, a questão da intimidade e da sensualidade durante este período continua a ser delicada.
Como conciliar as mudanças físicas, emocionais e relacionais próprias da gravidez com a manutenção de uma ligação íntima e gratificante com o seu parceiro? 
Neste artigo, mergulhamos no coração desta aventura única para descobrir como abraçar a sua feminilidade, cultivar a sua confiança e alimentar a sua intimidade durante a gravidez.
Antes de avançar, estabeleço uma base essencial: no contexto de uma gravidez normal, as relações sexuais geralmente não são contraindicadas. O bebé está protegido no útero, rodeado pelo líquido amniótico e separado do exterior pelo colo do útero. No entanto, em caso de dores invulgares, sangramento, ameaça de parto prematuro, placenta prévia, rutura da bolsa de águas ou recomendação específica de um profissional de saúde, é necessário pedir aconselhamento médico. Quando existe alguma dúvida, não especulo: é preferível consultar um médico.
A sexualidade durante a gravidez não se resume à penetração. Inclui também a ternura, o lugar do desejo, a relação com a própria imagem, a necessidade de se sentir tranquilizada, a qualidade da ligação do casal, o conforto físico, as emoções e todas as formas de proximidade que permitem manter a ligação. É muitas vezes aí que reside o essencial.
- Desconstruir a dicotomia entre a mãe e a puta
- Manter-se confiante e sexy durante a gravidez
- Lidar com as transformações físicas e emocionais
- Aceitar o seu novo corpo para viver uma gravidez tranquila e plena
- As alternativas à penetração para momentos íntimos sem pressão
- A sodomia para uma penetração não vaginal
- Os benefícios do sexo durante a gravidez
- Os brinquedos sexuais durante a gravidez
- as posições sexuais confortáveis e adequadas
Desconstruir a dicotomia entre a mãe e a puta: rumo a uma visão mais atual da feminilidade

A dicotomia entre a mãe e a puta, um conceito antigo e persistente na nossa sociedade, há muito que aprisiona as mulheres em papéis estereotipados e redutores.
Por um lado, a mãe idealizada, pura e dedicada, e, por outro lado, a puta depreciada, sexual e condenada.
Esta dicotomia simplista limitou frequentemente a liberdade das mulheres para expressarem plenamente a sua feminilidade sem receio de julgamento ou censura. Está na altura de questionar estas categorias rígidas e abraçar uma visão mais moderna e matizada da feminilidade, em que cada mulher pode ser simultaneamente maternal e sexual, doce e assertiva, sem se sentir condicionada por normas restritivas e ultrapassadas.
A verdadeira força reside na capacidade das mulheres de abraçarem a sua complexidade, explorarem a sua identidade com autenticidade e reivindicarem o seu direito a uma expressão plural da sua feminilidade.
É possível ser mãe e amante, livre na mente e no corpo, sem se deixar prender a um único papel.
Esta divisão tem consequências muito concretas. Algumas mulheres sentem-se menos legítimas para expressar o seu desejo durante a gravidez, enquanto alguns parceiros já não se atrevem a abordá-las por receio de fazer algo errado. Assim, o casal continua a amar-se, mas já não se atreve a falar abertamente sobre intimidade. É precisamente este silêncio que é preciso quebrar.
Uma futura mãe não tem de escolher entre a sua dimensão materna e a sua vida sexual. Ambas podem coexistir, desde que se deixem para trás as imagens rígidas e o julgamento. Quando o casal coloca a comunicação no centro, a sexualidade torna-se menos performativa, mais realista e, muitas vezes, mais terna. Se quiseres aprofundar esta dinâmica, recomendo também o guia do casal, muito útil para voltar a pôr em palavras as necessidades de cada um.
Manter-se confiante e sexy durante a gravidez

A gravidez é um período de profunda transformação física para uma mulher. À medida que a barriga cresce e os quilos se acumulam, é natural que algumas mulheres se sintam menos à vontade com o seu corpo em transformação. No entanto, é importante lembrar que a maternidade é um período marcante e que cada mudança física é sinal de uma vida em desenvolvimento. Como manter-se confiante e sexy durante a gravidez?
*Aceitação e amor-próprio*
A chave para se manter confiante durante a gravidez reside naaceitação e amor-próprio. Reservar tempo para se ligar ao seu corpo em transformação, admirar as maravilhas que ele realiza e celebrar cada mudança pode ajudar a cultivar uma imagem positiva de si própria.
*Valorizar os seus atributos*
Manter-se sexy durante a gravidez não significa necessariamente seguir padrões tradicionais de beleza. Pelo contrário, trata-se de valorizar os seus atributos naturais e encontrar formas de se sentir bem na sua pele. Seja através de roupa confortável mas favorecedores, acessórios que realcem a barriga arredondada ou gestos simples, como maquilhar-se ou pentear-se, é importante encontrar que te faz sentir bonita e desejável.
*Intimidade com o seu parceiro*
A intimidade com o seu parceiro também pode desempenhar um papel crucial na manutenção de uma imagem positiva de si própria durante a gravidez. Comunicar abertamente sobre as suas necessidades e preocupações, explorar em conjunto formas de intimidade não convencionais e reservar tempo para estabelecer uma ligação emocional podem fortalecer a relação e ajudar a sentirmo-nos desejáveis apesar das mudanças físicas.
Considero importante acrescentar uma nuance: a confiança não significa sentirmo-nos bonitas todos os dias, sem falhas. Durante a gravidez, podemos sentir-nos radiantes de manhã e vulneráveis à tarde. Esta oscilação é normal. O objetivo não é desempenhar um papel, mas reduzir a violência que podemos exercer sobre nós próprias quando o corpo muda rapidamente.
O toque pode ajudar a recuperar a ligação com a própria imagem. Uma massagem nas costas, nas pernas ou na barriga, quando é bem vivida, pode devolver uma sensação de presença em si mesma. Para acompanhar este processo, pode ver a nossa seleção de produtos de massagem ou consultar o guia de massagem se quiser voltar a incluir o contacto físico no seu quotidiano sem pressão sexual imediata.
Lidar com as transformações físicas e emocionais

A gravidez, embora seja frequentemente celebrada como um período de felicidade, também pode ser marcada por desafios físicos e emocionais que tornam esta fase da vida difícil para algumas mulheres.
No plano físico, os enjoos matinais, as dores nas costas, o cansaço e as alterações hormonais são uma provação diária.
Estes desconfortos físicos podem ser agravados por preocupações como o aumento de peso, as estrias ou outras transformações corporais que podem podem afetar a autoestima e a confiança no próprio corpo.
Do ponto de vista emocional, as flutuações hormonais, as preocupações relacionadas com o parto, a futura parentalidade ou as mudanças na relação do casal podem gerar stress, ansiedade e alterações de humor que ensombram a experiência da gravidez.
É importante reconhecer que cada mulher vive a sua gravidez de forma única e que estes desafios físicos e emocionais fazem parte integrante da jornada rumo à maternidade.
Dar importância ao seu bem-estar mental e físico, procurar o apoio recorrer a profissionais de saúde ou a uma rede de apoio social, bem como reservar tempo para descansar e recuperar energias, são passos essenciais para atravessar estes momentos difíceis com coragem e estabilidade.
Na vida íntima, estas mudanças têm um efeito direto. O cansaço pode fazer desaparecer a vontade, o peito pode ficar mais sensível, certos cheiros podem ser subitamente rejeitados e a penetração pode ser vivida de forma diferente consoante as fases. Por outro lado, algumas mulheres sentem um aumento do desejo associado a uma maior vascularização das zonas íntimas. Num caso como no outro, não existe uma única normalidade a alcançar.
O desejo durante a gravidez é frequentemente variável. Muitas mulheres sentem-se menos disponíveis no primeiro trimestre, recuperam algum ímpeto no segundo e tornam-se novamente mais prudentes ou menos confortáveis à medida que se aproxima o final da gravidez. Não é uma regra absoluta, mas é uma realidade frequente. O mais importante é ouvir aquilo que o corpo realmente permite, sem transformar cada variação num problema do casal.
Aceitar o seu novo corpo para viver uma gravidez tranquila e plena

O aumento de peso e as dificuldades em aceitar o seu novo corpo durante a gravidez podem ter um impacto significativo na sexualidade do casal.
Para muitas mulheres, as alterações físicas associadas à gravidez, como o aumento de peso, as estrias ou as mudanças na silhueta, podem provocar uma diminuição da autoestima e uma perda de confiança nelas.
Esta perceção negativa de si própria pode, por vezes, traduzir-se numa diminuição do desejo sexual e uma relutância em envolver-se em relações íntimas com o parceiro.
Do lado do parceiro, é essencial apoiar a sua parceira durante este período delicado. A comunicação aberta, a empatia e a paciência são elementos fundamentais para manter uma forte ligação emocional e promover um clima de compreensão mútua.
É importante recordar que o desejo sexual pode variar durante a gravidez devido às numerosas alterações físicas e hormonais que surgem.
Recomenda-se que o casal explore em conjunto meios alternativos de intimidade que não assentam necessariamente na penetração.
As massagens, as carícias, os momentos de cumplicidade não sexuais e as conversas abertas sobre as necessidades e preocupações de cada um podem ajudar a manter um vínculo íntimo forte, apesar dos desafios encontrados.
Aceitar o próprio corpo não significa gostar de cada mudança em todos os momentos. Muitas mulheres vivem uma ambivalência real: podem sentir-se tocadas pela força daquilo que o seu corpo consegue fazer e, ao mesmo tempo, ter dificuldade em reconhecer a sua silhueta ou em sentir-se atraentes. Esta contradição não tem nada de anormal. Merece ser acolhida sem vergonha.
O parceiro desempenha aqui um papel valioso. Não para corrigir ou minimizar, mas para transmitir segurança. Um olhar carinhoso, respeitar uma recusa, uma palavra tranquilizadora ou a capacidade de propor algo diferente de uma relação sexual completa podem mudar o ambiente do casal. Para compreender melhor o corpo íntimo durante este período, também pode ler o guia do períneo, bem como o nosso artigo reeducação do períneo, muito úteis para perceber o que acontece nesta zona antes e depois do parto.
As alternativas à penetração para momentos íntimos sem pressão
É essencial explorar as alternativas às relações sexuais tradicionais. A gravidez, devido às alterações físicas que provoca, por vezes torna a penetração desconfortável. Por isso, é crucial ousar explorar outras formas de intimidade para manter uma ligação emocional e física com o parceiro.
Massagem: entre o relaxamento e a aproximação
A massagem pode ser uma excelente alternativa às relações sexuais durante a gravidez. Não só permite relaxar e aliviar as tensões físicas, mas isso também pode reforçar a ligação entre os parceiros. Dedicar tempo a massajar suavemente o corpo da parceira ou deixar-se massajar cria uma pausa íntima e apaziguadora.
Brinquedos sexuais clitorianos: prazer sem penetração
Os brinquedos sexuais clitorianos são uma opção interessante para os casais que desejam explorar sensações diferentes sem recorrer à penetração. Na esmagadora maioria dos casos, o orgasmo feminino ocorre quando o clítoris é estimulado; por isso, por que privar-se desse prazer?
Preliminares: cultivar a excitação
Os preliminares assumem uma importância particular durante a gravidez, pois permitem criar um ambiente sensual e explorar diferentes formas de prazer. Dedicar tempo a acariciar, beijar e explorar as zonas erógenas pode contribuir para manter uma ligação íntima apesar das mudanças físicas em curso.
Considero esta parte fundamental, porque muitos casais foram habituados a pensar que uma relação “verdadeira” gira necessariamente em torno da penetração. Ora, durante a gravidez, sair desse padrão reduz imenso a pressão. Um encontro íntimo bem-sucedido pode ser uma massagem, uma estimulação externa, uma longa sessão de beijos ou um momento de contacto pele com pele. O corpo não precisa de um único guião para sentir prazer.
Do ponto de vista científico, cerca de 70 a 80% das mulheres atingem o orgasmo principalmente através da estimulação do clitóris, segundo Herbenick et al., 2018, Journal of Sex & Marital Therapy. Este dado recorda uma coisa simples: a penetração vaginal não é o único caminho para o orgasmo, nem sequer o mais frequente para muitas mulheres.
Quando a mucosa se torna mais sensível, um bom lubrificante também pode melhorar o conforto. Costumo aconselhar a consulta da coleção de lubrificantes à base de água, que é adequada quando se procura algo versátil, fácil de utilizar e compatível com muitos acessórios. Para complementar, também podes ler o nosso artigo sobre os prazeres do silicone para compreender melhor as diferenças de textura e utilização.
A sodomia para uma penetração não vaginal

Quando a penetração vaginal não é possível ou é desconfortável durante a gravidez, a sodomia pode ser uma alternativa segura. É uma forma de lidar com a frustração de uma penetração vaginal impossível. Naturalmente, o consentimento deve ser estabelecido e a questão da sodomia deve ter sido objeto de conversas sérias.
Esta prática sexual geralmente não apresenta nenhum perigo nem para a mãe nem para o bebé, pois o feto está bem protegido no útero.
A gravidez é um período propício a esta prática, pois o corpo, ao preparar-se para o parto, relaxa e torna os músculos mais flexíveis, nomeadamente os músculos pélvicos, o que pode por vezes facilitar a penetração.
Acrescento uma precisão importante: uma alternativa só faz sentido se for verdadeiramente desejada. Não se trata de substituir mecanicamente a penetração vaginal por outra prática. Se a sodomia causar apreensão, dor, desconforto digestivo ou hemorroidas, não deve ser considerada. O critério central continua a ser o conforto real e o consentimento claro.
Se esta prática for considerada, o lubrificante torna-se indispensável. Podes consultar a nossa seleção de lubrificantes e relaxantes anais para melhorar o conforto e evitar fricções desnecessárias. Mais uma vez, a progressão, a comunicação e a atenção ao corpo continuam a ser as melhores regras.
Os benefícios do sexo durante a gravidez

As relações sexuais durante a gravidez oferecem uma multiplicidade de benefícios tanto para a futura mãe como para o bebé em desenvolvimento.
No o plano físico, as relações sexuais contribuem para reduzir o stress, favorecer o sono e estimular a circulação sanguínea no útero, proporcionando assim mais oxigénio e nutrientes ao feto.
Do ponto de vista emocional, a intimidade partilhada reforça o vínculo afetivo entre os pais, cria um ambiente emocional positivo para o bebé e transmite uma energia de amor e cumplicidade à criança que está para nascer.
É importante salientar que não existe qualquer perigo para a mãe ou para o bebé durante as relações sexuais na gravidez. O pénis do pai não toca no bebé e não existe qualquer risco de o magoar ou de provocar um aborto espontâneo no contexto de uma gravidez normal e sem contraindicação médica.
O benefício mais subestimado será, sem dúvida, o da ligação do casal. Durante a gravidez, a relação pode rapidamente ficar preenchida por consultas médicas, organização, cansaço e assuntos práticos. Manter espaço para o desejo, o riso, as carícias e a proximidade permite não reduzir o casal a uma equipa logística. A intimidade recorda-vos que continuam a ser dois parceiros, e não apenas dois futuros pais.
É claro que estes benefícios só existem se a relação for realmente desejada. Não há qualquer interesse em impor uma sexualidade sob o pretexto de que seria “boa para o casal”. Respeitar o ritmo de cada um é sempre mais importante do que uma teoria sobre o que se deveria fazer.
Os brinquedos sexuais durante a gravidez

A utilização de brinquedos sexuais é uma opção divertida para casais que desejam explorar novas sensações, variar os prazeres e manter uma intimidade plena.
Os brinquedos sexuais, como os dildos não vibratórios e os estimuladores do clitóris, podem ser utilizados com segurança, desde que sejam escolhidos cuidadosamente e utilizados de forma responsável.
É importante escolher brinquedos sexuais adequados à gravidez, dando preferência aos que são fáceis de limpar, seguros para o corpo, feitos de materiais de qualidade e confortáveis de utilizar.
Em geral, aconselho a optar por modelos simples de utilizar, fáceis de limpar e que permitam manter o controlo da intensidade. Os produtos da coleção brinquedos sexuais para mulher podem ser úteis se procura sobretudo estimulação externa ou uma utilização versátil, sem exigir posições demasiado complicadas.
A higiene é essencial. Um brinquedo sexual deve ser limpo antes e depois da utilização com produtos adequados, sobretudo durante a gravidez. Para isso, podes consultar a coleção de produtos de limpeza para brinquedos sexuais. Se um acessório provocar desconforto, uma sensação invulgar ou incómodo, basta parar. O objetivo nunca é forçar o prazer, mas proporcionar possibilidades quando o corpo está preparado para tal.
Posições sexuais confortáveis e adequadas
É importante encontrar posições que proporcionem conforto e segurança para a futura mãe, permitindo simultaneamente que o casal passe um momento gratificante. Eis algumas posições adequadas para relações sexuais confortáveis durante a gravidez:
- A posição de missionário modificada: A futura mãe pode colocar uma almofada sob as ancas para elevar a pélvis e reduzir a pressão sobre a barriga.
- A colher: Os parceiros posicionam-se de lado, um atrás do outro, o que permite uma penetração menos profunda e reduz a pressão sobre a barriga.
- A mulher por cima: Esta posição permite à futura mãe controlar a profundidade e o ritmo da penetração, proporcionando assim maior conforto.
- A posição da borboleta: A futura mãe deita-se na borda da cama ou de uma mesa, com as ancas ligeiramente elevadas, proporcionando um ângulo favorável para uma penetração menos profunda.
- A posição de lótus: Os parceiros sentam-se frente a frente, com as pernas entrelaçadas, o que permite uma ligação íntima, evitando ao mesmo tempo uma pressão excessiva sobre a barriga.
Na realidade, a melhor posição é sempre aquela que respeita o conforto do momento. À medida que a gravidez avança, as posições de lado, semissentadas ou aquelas em que a mulher mantém o controlo do ritmo são frequentemente mais bem toleradas. As almofadas podem fazer uma verdadeira diferença para aliviar as costas, as pernas ou a pélvis.
Assim que uma posição puxar, comprimir, causar falta de ar ou desconforto, é preciso mudá-la. A sexualidade durante a gravidez beneficia muito de uma maior adaptabilidade. O conforto não elimina o desejo; torna-o possível.
Quando se devem evitar as relações sexuais durante a gravidez?
Embora a intimidade continue a ser possível na maioria das gravidezes normais, existem situações em que é necessário suspender as relações sexuais e consultar um profissional de saúde. É nomeadamente o caso na presença de hemorragias, dores intensas, contrações invulgares, perda de líquido, infeção, placenta prévia ou de uma indicação específica dada pelo médico ou pela parteira.
Prefiro ser muito clara sobre este ponto: nenhum artigo de blogue substitui o acompanhamento médico. Se alguma coisa te preocupa, a atitude certa continua a ser consultar um profissional de saúde. A serenidade do casal também passa por saber parar quando o corpo envia um sinal.
Em conclusão
A gravidez é um período de transformação física e emocional que pode apresentar desafios, mas também oportunidades para o casal.
Ao explorar as diferentes facetas da intimidade durante este período, desde a manutenção de uma ligação emocional à descoberta de novas formas de prazer, é possível fortalecer a ligação entre os parceiros e cultivar uma relação íntima gratificante.
É essencial recordar que cada gravidez é única e que a comunicação aberta, o respeito mútuo e a escuta das necessidades de cada um são elementos essenciais para viver este período com harmonia e serenidade.
Ao abraçar a diversidade das experiências sexuais possíveis Durante a gravidez, mantendo-se atentos ao bem-estar de ambos, o casal pode atravessar esta etapa importante da sua vida com confiança, amor e cumplicidade.
Acrescento um último ponto: não existe uma forma universalmente correta de viver a sexualidade durante a gravidez. Algumas mulheres terão vontade com frequência, outras muito menos. Algumas preferirão carícias, outras manterão relações sexuais completas e outras ainda precisarão de fazer pausas. A verdadeira referência não é a norma nem a comparação. É respeitar aquilo que sentes, o que o teu corpo permite e a forma como o casal escolhe manter-se próximo.
Se precisares de saber mais sobre o tema, também podes ler atreve-te a fazer sexo durante a gravidez, que complementa muito bem esta reflexão com uma perspetiva mais focada na intimidade durante este período.
Um guia assinado por Alicia, a sua conselheira íntima há mais de 10 anos.
Para saber mais
- O guia do pós-parto: recuperar a intimidade
- O guia da gravidez: sexualidade e bem-estar
- O guia do casal: sexualidade, cumplicidade e duração
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